Debate antigo que não sai do papel, a revitalização do Centro de Bauru tem mais chances de se tornar realidade após a reformulação do programa Minha Casa Minha Vida (MCMV), do Governo Federal - por mais que uma coisa não pareça ter a ver com a outra.
Na terça-feira (7), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) lançou a nova versão do programa. A partir de agora, famílias com renda entre R$ 2.640 e R$ 8 mil poderão financiar imóveis usados pelo projeto. Antes, o projeto era restrito à construção de novas unidades habitacionais.
As linhas gerais do programa foram publicadas em Medida Provisória no Diário Oficial da União nesta quarta-feira (8). Os detalhes serão regulamentados pelo Ministério das Cidades em até 90 dias, prazo que o Congresso tem para aprovar ou derrubar a MP.
Presidente do Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Creci-SP), José Augusto Viana Neto afirma que a medida agora acatada pelo presidente Lula não apenas facilita o acesso à moradia própria, mas também ajuda a fomentar a reocupação dos centros urbanos.
As áreas centrais das cidades já foram valorizadas e disputadas. Hoje, porém, têm sido evitadas por razões que vão desde o quesito financeiro até o social. São locais que se tornaram um verdadeiro vazio urbano, a exemplo de Bauru. "Essas regiões degradadas, os centros abandonados. Esse cenário pode ser transformado com a ocupação de imóveis. E podem ser imóveis propícios para as normas do Minha Casa Minha Vida, já que há muitos imóveis antigos e com valor de mercado mais barato. A porta já sai na calçada, não tem garagem", aponta Viana.
O presidente do Creci não tem dúvidas: a revitalização do centro seria naturalmente impulsionada pela negociação dos imóveis instalados nessas áreas. "Fora a questão econômica. Existe o ponto positivo sobre estar perto de tudo. Sempre haverá um supermercado, uma farmácia ou uma padaria por perto", prossegue.
ECONOMIA
A inclusão dos imóveis usados no MCMV também ajuda a economia a girar, diz Viana. "O mercado imobiliário é um importante indutor da economia. Até porque há diversos segmentos da indústria que giram em torno desse ramo", explica.
Por trás do setor, afinal, estão as fabricantes e os vendedores de tintas, a indústria têxtil, a de eletrodomésticos e as madeireiras e as marcenarias. "Sem contar as outras várias áreas que estão envolvidas neste processo, sejam elas primárias, secundárias ou terciárias", pontua.
Segundo ele, a inclusão de imóveis usados no MCMV é uma demanda da instituição desde que o programa habitacional foi lançado. "Achamos a reformulação do programa muito positiva. Pessoas que têm acesso ao Minha Casa Minha Vida podem fazer a negociação e se mudar para o local na mesma hora, não precisa esperar construir", aponta Viana.
Ele não esconde o entusiasmo com a retomada do programa, agora reformulado. "Houve pouco investimento em política habitacional nos últimos anos. Isso, de uma certa maneira, desaqueceu o setor", diz Viana, que aposta num crescimento do mercado imobiliário para os próximos meses.
DISCUSSÃO
A última reunião que discutiu a revitalização do Centro de Bauru ocorreu em novembro do ano passado. O encontro, convocado pelos vereadores Coronel Meira (União Brasil) e Marcelo Afonso (Patriota), contou com a participação também de entidades como a Acib, Sincomércio e da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), além da prefeita Suéllen Rosim (PSD) e de integrantes das secretarias de Planejamento, Obras e Desenvolvimento Econômico.
Na reunião, Meira defendeu que, em vez do emprego direto de recursos do município na revitalização do Centro, o governo promova a concessão de imóveis históricos à iniciativa privada, para fins de exploração comercial, com a condição de que empresas interessadas tomem medidas para valorizar as características dos imóveis. Uma alternativa, disse Meira, estaria na abertura de editais para que o setor privado apresente propostas que viabilizem a recuperação do centro urbano.