BAIRROS

Obra do DAE deixa avenida da Bela Olinda praticamente intransitável

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
André Fleury Moraes
Marcelo Alexandre Costa; mais foto no final
Marcelo Alexandre Costa; mais foto no final

Se andar pela avenida Frederico Pagani, no bairro Quinta da Bela Olinda, em Bauru, já é difícil, dirigir é praticamente impossível. O trecho tem apenas 1,5 quilômetro, mas está tomado por enormes crateras, um asfalto que foi dilapidado, vazamentos contínuos de água e esgoto a céu aberto. Os motoristas que se arriscam precisam alternar o tráfego entre a mão correta e a contramão. "É um cenário de guerra", define o morador Marcelo Alexandre Costa, 52 anos.

Empresário no ramo de uniformes, Marcelo mora na mesma casa na Quinta da Bela Olinda há 17 anos. Se mudou para o bairro numa época em que a região ainda dependia de fossas, situação que o governo decidiu mudar no final de 2021, quando o DAE, na época presidida pelo engenheiro Marcos Saraiva, contratou uma empresa para instalar a rede de esgoto no local.

Foi quando começou a dor de cabeça. A rede de esgoto até chegou a ser instalada, mas não demoraria a apresentar problemas. A pavimentação se esfacelou tão logo as chuvas vieram. E a obra acabou esquecida - tanto pela empresa quanto pelo DAE, segundo relatam os moradores. Hoje, a situação está caótica, especialmente depois das fortes chuvas que atingiram Bauru nos últimos dias.

"Ontem mesmo ajudei um motorista a tirar o carro de um buraco onde tinha caído", contou Marcelo na terça-feira (28) sobre uma tarefa que se tornou parte de sua rotina como morador da Frederico Pagani. Entre os passageiros do veículo havia uma criança presa a uma "cadeirinha" - o que pode ter evitado um mal maior.

Marcelo disse ao JC que o problema pode ter se agravado pela maneira como a empresa responsável pela obra realizou o aterramento da tubulação. "Primeiro jogaram terra. Aí veio a chuva e levou tudo. Depois colocaram pedra sobre terra. E o mesmo aconteceu", lembra.

De acordo com o empresário, a instalação de concreto sobre os buracos resolveu o problema parcialmente - mas não evitou que novas crateras fossem abertas.

A topografia da avenida, somada à falta de drenagem urbana para o local, também aflige moradores. O trecho é majoritariamente íngreme e, sem bocas de lobo, a água desce como uma correnteza até a planície - para o sofrimento de quem reside na região plana da Frederico Pagani.

Ester Inácio Damasceno, 59 anos, mora na parte baixa do trajeto há quatro anos. E sempre sofreu com as chuvas, sejam elas fortes ou fracas. "Ninguém resolve nada", lamenta.

O JC visitou a casa de Ester na terça-feira e dividiu o espaço com trabalhadores da construção civil que também estavam no local. Eles estavam consertando o telhado da moradora, que trabalha no ramo de turismo, porque a chuva que antecedeu o dia 28 provocou fortes estragos em sua residência. "É um absurdo. Até porque eu vou ter de pagar o conserto", critica.

Sem escoamento, a água que não entra no terreno de sua casa alaga a rua. "Eu mesma já caí duas vezes aqui. Em outras ocasiões, meu carro ficou preso nos buracos", conta. Ela tenta buscar uma solução para o problema desde que se mudou para a Quinta da Bela Olinda. "É um jogando para o outro. DAE joga para a Obras e vice-versa", aponta.

MELHORIAS?

O presidente do Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE), Leandro Joaquim, disse ao JC nesta quarta-feira (1) que a empresa responsável pela obra retornou à avenida Frederico Pagani para averiguar a situação e consertar pelo menos uma das tubulações que teria estourado. Ela deve entregar a Joaquim um relatório ainda nesta quinta (2).

"Foi determinado que eles façam o que precisa ser refeito", disse o presidente, que assumiu o cargo há uma semana após a saída do engenheiro Marcos Saraiva.

Ester Inácio Damasceno (crédito: André Fleury Moraes)
Ester Inácio Damasceno (crédito: André Fleury Moraes)
À esquerda, buraco em frente à casa de Marcelo cresce a cada dia; à direita, enorme cratera põe risco ao tráfego na via (crédito: André Fleury Moraes)
À esquerda, buraco em frente à casa de Marcelo cresce a cada dia; à direita, enorme cratera põe risco ao tráfego na via (crédito: André Fleury Moraes)

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