JUSTIÇA

Jaú: homem é condenado a 36 anos de prisão por estuprar e assassinar jovem

Por Lilian Grasiela | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Reprodução/redes sociais
Bruna Vines Ribeiro foi morta aos 22 anos, em Jaú
Bruna Vines Ribeiro foi morta aos 22 anos, em Jaú

Jaú - O Tribunal do Júri condenou a mais de 36 anos de prisão, em regime inicial fechado, A.M.R.N., acusado de estuprar e matar uma jovem de 22 anos, em dezembro de 2018, em um motel em Jaú (47 quilômetros de Bauru), e de ocultar seu corpo em um matagal. A defesa poderá recorrer da sentença.

O julgamento ocorreu nesta sexta (24). No decorrer da ação penal, logo após a pronúncia, a defesa chegou a obter, junto ao Tribunal de Justiça (TJ), decisão favorável pela instauração de incidente de insanidade mental.

O procedimento concluiu que o réu tinha plena capacidade de entender os crimes pelos quais é acusado e a pronúncia foi mantida, nos termos da denúncia oferecida pelo promotor Rogério Rocco Magalhães.

Durante a sessão de julgamento, na última sexta, a defesa de A.M.R.N. pleiteou a absolvição dele, alegando que ele não havia cometido nenhum dos crimes, e também o afastamento da qualificadora do feminicídio.

O plenário, porém, acatou a tese do promotor e sentenciou o réu por homicídio com três qualificadoras (feminicídio, meio cruel e recurso que impossibilitou a defesa da vítima), pelo crime sexual e também por ocultação de cadáver.

As investigações demonstraram que a jovem havia sido contratada para um programa e que, durante encontro em um motel, o homem passou a agredi-la e a estuprá-la. Em seguida, ele imobilizou a vítima e a asfixiou com a alça de uma bolsa.

Posteriormente, colocou o corpo no carro e jogou em um matagal. A pena total foi de 36 anos, dois meses e 14 dias de reclusão, em regime inicial fechado, além de 14 dias-multa. Ele poderá recorrer da decisão junto ao TJ, mas terá de aguardar a análise da apelação preso.

RELEMBRE O CASO

Conforme divulgado pelo JC, o corpo de Bruna Vines Ribeiro, 22 anos, foi avistado por duas pessoas, apenas de blusa, na tarde de 4 de dezembro de 2018, na avenida João Lorenzon, 2.ª Zona Industrial, próximo a um centro de compras em Jaú.

Segundo a Polícia Civil, o autor do crime usou a calcinha da vítima para amarrar as mãos dela e a alça da sua bolsa para estrangulá-la. Como ela não portava documentos, equipes da DIG de Jaú só conseguiram identificá-la no final da noite.

Os policiais civis apuraram que Bruna veio de Bandeirantes, no Paraná, e passou a morar com uma irmã no Jardim Maria Luiza IV, e a fazer programas em um conhecido ponto de prostituição da cidade.

A partir de depoimentos e imagens de câmeras de segurança, a DIG traçou o mapa dos momentos que antecederam a morte da vítima e, no dia 12 de dezembro, prendeu A.M.R.N., na época com 33 anos, que confirmou ter feito programa amoroso com ela no dia em que o corpo foi localizado.

A especializada apurou que, horas antes de ter sido encontrada morta, Bruna havia entrado em um VW/Fox cinza. Registros de um motel próximo revelaram que o mesmo veículo esteve no local. Por volta das 16h40, o Fox foi flagrado por câmeras na região onde o corpo foi achado.

Um minuto depois, as imagens mostram o carro retornando. Após cerca de 40 minutos, Bruna foi encontrada morta. Com a identificação da placa do veículo, os policiais foram até uma casa no Jardim América, onde ele foi apreendido.

O proprietário, A.M.R.N., reconhecido por testemunhas como o homem que dirigia o Fox na data dos fatos e que manteve contato com a vítima antes de sua morte, teve a prisão temporária decretada por 30 dias. Posteriormente, ele teve a prisão preventiva decretada e, desde então, segue preso.

Em depoimento, segundo a polícia, o acusado apresentou versões contraditórias sobre o crime. Um exame de DNA foi fundamental para o esclarecimento dos fatos.

PROVA MATERIAL

A pedido do delegado Marcelo Aparecido Tomaz Goes, titular da DIG, foram colhidos materiais biológicos no corpo da vítima para confronto genético com o material coletado do suspeito A.M.R.N. Os materiais foram periciados pelo Laboratório de DNA do Núcleo de Biologia e Bioquímica da Polícia Científica de São Paulo e o resultado saiu no início de 2019. "O laudo concluiu que havia material genético de A.M.R.N. no cadáver da vítima, mais precisamente sob suas unhas, indicando sinais de defesa, bem como em sua região genital, sugerindo também provável violência sexual", explicou o delegado na época.

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