Quando escrevia essas linhas,
Era de madrugada.
A boemia que comandava.
A noturna jornada.
Da janela via-se o asfalto
Coberto de confetes e serpentinas,
Que há pouco fora o palco,
De pierrôs e colombinas.
Arlequins, blocos e fantasias,
Aquele mesmo espaço ocupavam.
Sons de tamborins, reco-reco,
frigideiras, tambores, apitos
Marchinhas, frevos, ali as pessoas
riam e cantavam.
Os mais tímidos, assistiam das
cadeiras nas calçadas.
Hoje confinados nos sambódromos,
veem das arquibancadas.
A participação popular, que era livre,
divertida e desorganizada
Hoje curte à distância,
desfiles de escola de samba e
banda profissionalizada.
Paixões fugazes que começavam na
sexta e terminavam na terça.
Eram apenas 3 dias de sonhos e
simples fantasias irreais.
Seguia-se todo um ano de duro
trabalho e preparações,
Na esperança do reviver os sonhos
dos próximos carnavais.