OPINIÃO

Sinistros de trânsito envolvendo motos

Por Archimedes Raia |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é professor titular aposentado do Departamento de Engenharia Civil da UFSCar e diretor de Mobilidade e Transportes da Assenag

O trânsito no município de Bauru registrou, em 2022, 60 vítimas fatais, conforme banco de dados InfoSiga. Desse total, 52% eram motociclistas, usuários considerados como um dos mais vulneráveis e que devem receber especial atenção. Conduzir uma motocicleta é uma tarefa rotineira para muitos, mas, extremamente perigosa. Ela proporciona a alguns, lazer e, a outros, oportunidades de trabalho para gerar renda para o sustento de famílias, porém, com um custo social altíssimo.

Quem poderá quantificar a dor dos pais, familiares e amigos da jovem Maynara que teve sua vida brutalmente ceifada recentemente? Não se pode calcular o que representa a perda de uma vida humana ou os danos psíquicos e estresses traumáticos aos quais as vítimas de trânsito e seus familiares são submetidos após eventos dessa natureza. Os sinistros de trânsito, como um todo, geram custos socioeconômico financeiros, que impactam diretamente as famílias e a sociedade em geral

Segundo estudo realizado pelo IPEA-Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, em média, cada sinistro de trânsito com óbito custa para a sociedade cerca de R$ 430 mil, incluindo gastos pré-hospitalares, hospitalares, pós-hospitalares, perda de produção e remoção. Por ano, a soma de todos os sinistros no território nacional chega a mais de R$ 30 bilhões. Sinistro de trânsito é considerado como problema de saúde pública pela Organização Mundial de Saúde. A epidemia provocada pelos sinistros de trânsito é agravada pelo crescimento acelerado da frota de motos, além do despreparo e da imprudência dos condutores desse tipo de veículo. Uma pesquisa no Distrito Federal apontou que as motocicletas matam proporcionalmente 4 vezes mais do que os automóveis e se envolvem 3 vezes mais em sinistros fatais. A taxa de mortalidade entre passageiros e condutores de carros foi de 1,1 para cada 10 mil veículos. Entre as motos, ela chegou a 4,2 por 10 mil motocicletas.

Não há uma solução mágica para mitigar a alta acidentalidade que envolve as motos. O país necessita planejar e executar ações de melhoria em diversas vertentes: educação, capacitação de condutores, sensibilização dos que contratam motociclistas a não fazê-lo por produtividade, regularização de serviços com motos, manutenção adequada das vias, processos de formação de condutores e, muita fiscalização.

Há muitas motos conduzidas por inabilitados, trafegando invariavelmente com excesso de velocidade, sem o cumprimento da legislação, furando o sinal vermelho e com escapamentos extremamente barulhentos.

É um trabalho de curto, médio e longo prazos, que tem que começar agora, para se ter um retorno em um futuro não tão distante. Vale a pena! Afinal, a dor pelos feridos e a perda de uma vida não tem preço. É um dom gratuito de Deus.

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