OPINIÃO

Humanos no futuro: como preparar no presente?

Por Sara Hughes |
| Tempo de leitura: 3 min
A autora é graduada em pedagogia, economia, MBA pela IESE School of Business, presidente e fundadora do OSC, co-fundadora e CEO da Scaffold Education. Presidente do FBN e conselheira da Lwart Soluções Ambientais, com participação em comitês

Houve um tempo em que tecnologias apresentadas em filmes como Blade Runner e Minority Repost retratavam uma ficção científica que nos parecia estar longe de se tornar possível. Agora, em 2023, o que era uma ficção distante está presente em nossa realidade. Nas últimas semanas, muito foi falado sobre o ChatGPT, modelo de linguagem baseado em Inteligência Artificial (IA). A discussão ficou pautada em como a escola podia impedir o uso dessa ferramenta pelos alunos, mas pouco falamos sobre como ensinar as crianças e adultos a pensarem de forma crítica sobre a inteligência artificial.

Sempre que nos deparamos com uma nova tecnologia, a nossa primeira reação é se desesperar - para o bem ou mal. Passada a novidade, a tecnologia entra na nossa rotina e, se não tivermos feito o exercício de refletir sobre ela no momento de pânico, somos levados pelo pensamento da massa. Essa reflexão precisa ir além do certo ou errado e a escola tem como desafio apoiar os alunos a criarem reflexões de forma crítica sobre a tecnologia, seja ela qual for. Precisamos fazer com que eles enxerguem o diferente para não serem afetados pela visão massificada da sociedade.

Resolvi testar o ChatGPT e perguntei o que deveríamos ensinar em 2023 para o aluno utilizar daqui 10 anos. A inteligência artificial sugeriu pensamento crítico, comunicação eficaz, tecnologia e digitalização, colaboração e trabalho em equipe, empatia e diversidade, liderança e gestão e educação financeira. Ou seja, muito mais do que a tecnologia em si, a inteligência artificial apontou a necessidade das pessoas desenvolverem habilidades e competências que os tornem flexíveis e inovadores para lidar com os desafios das próximas décadas. E como desenvolver essas habilidades? Todos nós precisamos vivenciar o lifelong learning, como uma ferramenta para uma carreira significativa. Como se manter atualizado? Como se sentir preparado nesse mundo dinâmico?

Por meio do aprendizado e a busca pelo conhecimento adquirimos ferramentas que nos apoiam no desenvolvimento das smart e sharp skills, estimulando que saiamos da zona de conforto para que sejamos capazes de lidar com as mais diversas situações, analisando as ameaças e oportunidades. O caminho até a zona de conhecimento passa pela zona do medo, onde há o desafio da autoconfiança e também pela zona de aprendizagem, onde vamos desenvolver habilidades que nos apoiam na resolução de problemas e desafios. Feito esse percurso, chegamos na zona de crescimento e, então, começamos a conquistar nossos objetivos, criar novas metas, vivenciar nossos sonhos. Não tem crescimento na zona de conforto e, não tem criatividade e inovação sem arriscar-se.

Para se ter uma carreira significativa é preciso utilizar os "pentes", onde vamos ter novidades a cada 5 - 10 anos, com temas de interesse e domínio que colaboram para soluções. O 'humano do futuro' precisa se sentir normal não sabendo ou precisando buscar apoio com pessoas e ferramentas novas.

Fica claro que o futuro exigirá muito mais do que eu sou e como eu produzo, do que quais informações eu sei e quais tecnologias estão à minha disposição. O aprendizado do século XXI demanda habilidades e competências que são utilizadas por toda vida. É missão de todos nós pensarmos em um lifelong learning em que contribuímos na construção de uma sociedade diferente. O desafio é: como eu me preparo para contribuir mais hoje?

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