OPINIÃO

A Política, seus partidos e sua negação atual

Por José Xaides de Sampaio Alves |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é urbanista e professor doutor aposentado da Unesp

Não sou político tradicional. Será mesmo? Não se engane com esta frase das lideranças partidárias. Como a maioria das pessoas leigas ou cultas, mas que ainda não vivenciou um partido político, mas que enxerga a realidade dos problemas não resolvidos de nossa cidade e do país, e que não tem ideia da forma e dos interesses que operam internamente um partido e seus caciques (dirigentes), caímos em erros de acreditar na falácia acima, ou nos preconceitos quando pensamos sobre os partidos. Falarei de dois aqui.

O primeiro é achar que partido político não serve pra nada, que você deve ficar longe deles. Grande equívoco. É lá que os destinos da gestão de sua cidade e país acontece, se você não tem estômago para estar dentro, deixará espaço para quem o tem, ser seus dirigentes e mandatários, por pior e menos qualificados que sejam. O outro erro é achar que "partido", como o nome indica, é a parte do conjunto ideológico de ideias, pensamentos, forma de organizar a sociedade, e cada um tem o seu jeito de pensar e que você pode se encontrar com alguma felicidade em um deles, e poder participar com seus ideais logo que entrar.

Grande equívoco. As cartilhas nacionais, programas, códigos de éticas escritos servem para registro de alguns sonhadores. Mas está muito longe de ser matriz operacional para os dirigentes locais, para os filiados. Muito menos para as composições políticas pré-eleitorais nas cidades, pois nesses momentos esquecem tudo isso, vale é ter o poder.

A realidade é que os partidos não formam ninguém, com raríssimas exceções no tempo, não possuem base orgânica com a população, estão longe de discutir internamente os reais problemas das cidades e do país, não possuem núcleo de formação e sequer abrem espaço para quem pensa a cidade ou país, quando tem formação técnica e vivência dos problemas, estes que os tem correm o risco de serem "calos nos sapatos" dos dirigentes e se transformarem em pessoas não gratas para os mesmos. Justamente por terem o que o dizer e não quererem viver na iniquidade dos interesses tradicionais dos dirigentes.

A realidade é que o caciquismo desses dirigentes não tem transparência com os filiados. Se sentem donos de empresas privadas, e tentam decidir tudo pelos demais. E depois de decidirem tentam impor aos demais suas decisões, quem não se adaptarem que se lasquem. Haja estômago. O que move estes dirigentes de verdade é o poder (minúsculo mesmo). Simples assim. Quando não é ainda pior, por algum tipo de benefício de relação com a administração pública, seja em negócios com suas ongs e empresas, serviços públicos de longa data como terraplenagem, alimentação, asfalto, licitações em andamento, ou interesse político de ter apadrinhados que concordam com tudo isso em cargos comissionados na administração, pelos honorários. Que se danem ideologias, planos e ideias pra cidade e país, interessa são os recursos que advém do dinheiro público, aquele mesmo dinheiro que a maioria hipocritamente diz que devem privatizar.

Assim, a tal boa política de ideias e programas quase sempre nunca acontece. E os sonhadores, técnicos e cidadãos do bem, tendem a se autoexcluírem dessa maracutaia geral. E a política assim se nega como princípio de bem coletivo, e os partidos, na prática, se negam a serem constituídos de programas ideológicos, não representam de fato isso. Estão na maioria dos casos servindo de uma formalidade constitucional para benefícios de poucos.

A militância e maioria dos filiados são apenas massa de manobras. Os partidos negam a essência da boa política, e dão margem a legitimar ideias como de candidaturas avulsas, sem partidos, que na atual circunstâncias partidárias fazem todo sentido.

Comentários

Comentários