Brasília, Maringá, Boa Vista, Palmas, Macapá, Ijuí, Paracatu, Santos, Gramado. O que essas cidades, grandes, pequenas, de várias regiões do Brasil, têm em comum?
Em algum momento de suas histórias, elas decidiram que as faixas de pedestres deixariam de ser pinturas inócuas e cumpririam o seu propósito, previsto no Código de Trânsito Brasileiro, de dar ao pedestre a preferência no tráfego.
Diz o artigo 70 do CTB, em seu caput: "Os pedestres que estiverem atravessando a via sobre as faixas delimitadas para esse fim terão prioridade de passagem, exceto nos locais com sinalização semafórica, onde deverão ser respeitadas as disposições deste Código."
E continua, no parágrafo único: "Nos locais em que houver sinalização semafórica de controle de passagem será dada preferência aos pedestres que não tenham concluído a travessia, mesmo em caso de mudança do semáforo liberando a passagem dos veículos."
Simples, não?!
Se há faixa de pedestres e não há semáforo, os motoristas devem parar sempre que houver algum pedestre atravessando, iniciando a travessia ou aproximando-se do cruzamento. E se há semáforo, devem aguardar que o pedestre termine a travessia, mesmo que o sinal fique verde para eles.
O fato de haver cidades em que a faixa de pedestre é respeitada não significa que os motoristas que lá trafegam são por natureza mais gentis.
Eles assim agem porque naquelas cidades o poder público e a sociedade decidiram, por respeito à vida, que a lei deveria deixar de ser letra morta.
Cada uma delas criou a sua própria política, sua campanha de conscientização, e em mais ou menos tempo se tornou um exemplo para o resto do país. Andar nelas, de carro ou a pé, dá uma sensação boa de civilidade.
É possível que um dia também seja assim em Bauru. Temos capacidade, como motoristas, de aprender a esticar nosso percurso em alguns segundos. E, como pedestres, temos o direito de não perder a vida sobre as listras que foram feitas por nossa causa.