A recente medida da Faculdade Anhanguera de Bauru em dispensar professores deixando aquele belíssimo prédio tendo em vista a mudança de determinados cursos de graduação presenciais para o sistema EAD, concentrados em um Posto nesta mesma cidade, causou estranheza em muita gente que talvez possa até ter exclamado: "Que judiação...!"
Feliz ou infelizmente, apesar da diminuição de postos de trabalho docente e administrativo presentemente e óbvio, no futuro, sua expansão é irredutível, não em todas as áreas do conhecimento humano, mas sim naquelas cujos cursos dispensam a presença diuturna do alunado que almeja habilitação profissionalizante e graduação no ensino superior.
Quanto à sua eficiência, é incontestável. E quanto à sua existência histórica, é importante saber que o EAD não é uma conquista da modernidade, mas fruto de um surgimento natural, tendo em vista necessidades e o desenvolvimento da tecnologia em comunicação não programado, pois aqui em nosso país já existe há oito décadas, tendo beneficiado e formado centenas de técnicos em todo o nosso Brasil.
Antes serviu-se do Correio, agora é um sistema online, internet. Nos idos de 1950, meu pai foi gerente da CPFL em Garça tendo sob sua responsabilidade alguns funcionários dedicados e que eram classificados como "instaladores" e "corredores de linha". Os primeiros tinham em comum o serviço de efetuar novas instalações, religações e a manutenção da rede elétrica na cidade, enquanto que aos segundos cabia vistoriar as linhas de transmissão na zona rural entre as cidades. Estes caminhavam sob as redes de transmissão constatando normalidade ou defeitos, principalmente após as chuvas ou vendavais.
Eu, normalista prestes a me formar como professor, ficava curioso e espantado em ver que três deles sempre manuseavam e liam apostilas. Constatei que as mesmas eram profissionalizantes encaminhadas pelo Instituto Universal do Rio de Janeiro. Continham explicações, exercícios, desenhos e auto avaliação. Um conseguiu a especialidade de técnico em conserto de rádio, que vivia um verdadeiro "boom" naquele tempo; outro, em marcenaria e o terceiro a mesma qualificação como pedreiro-pintor.
Acompanhando o interesse e desempenho dos mesmos nas respectivas áreas, resolvi também, pelo mesmo instituto, fazer o curso de taquigrafia.
Quinzenalmente eu recebia via correio as monografias para estudo e exercícios dominando aquela modalidade de escrita, com grande aceitação e necessária na época, pois ainda não havia o gravador como hodiernamente.
Essa habilidade como taquígrafo usei, como aluno, principalmente quando fiz a graduação de Pedagogia na Fafil, hoje Unisagrado. O sistema EAD, em que o aluno ou graduando trabalha "online", pode e poderá fazer com que o mesmo se matricule, desde que preencha determinadas condições, obter graduação, especialização, mestrado, doutorando e pós, conseguir qualificação mais alta em qualquer universidade do mundo.
Portanto, sabemos o motivo porque nossos filhos ou netos passam horas do dia e da noite concentrados em frente a um computador ouvindo aulas para cumprir dentro de prazos determinados as tarefas, exercícios e compromissos estabelecidos. E quanto ao futuro, especulemos aguardando mais mudanças.
Muito embora sua indiscutível eficiência como sistema de ensino online, eu, particularmente, prefiro o presencial, aquele em que existe a benéfica interação entre o professor e aluno, seja em qualquer nível. Em que o professor explica, comenta, é arguido pelo aluno, há troca de experiências e informações, o mesmo que, como afirmou Cora Coralina "quem ensina também aprende".