INVESTIGAÇÕES

Caso Bulhões: sindicância termina e processo administrativo é aberto

Por Larissa Bastos | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
JC Imagens
Direção da Faac da Unesp de Bauru apura internamente acusações de assédio sexual contra docente da universidade
Direção da Faac da Unesp de Bauru apura internamente acusações de assédio sexual contra docente da universidade

A Unesp de Bauru, por meio da direção da Faculdade de Arquitetura, Artes, Comunicação e Design (Faac), informou que foi finalizada a sindicância que apurava internamente as denúncias de assédio sexual contra o professor adjunto Marcelo Magalhães Bulhões. O relatório final da comissão indicou a abertura de um processo administrativo (PAd), que foi iniciado na terça-feira (24). Nesta última etapa, o colegiado avaliará se há uma possível punição ao docente. Já o educador reafirma que é "inocente".

Conforme o JC noticiou, as denúncias contra Bulhões ganharam repercussão depois que um banner, mostrando mensagens de teor sexual supostamente enviadas por ele a alunas, foi exposto no câmpus em julho do ano passado. Na data, várias possíveis vítimas publicaram relatos nas redes sociais e houve um protesto na universidade pedindo a exoneração do docente.

Desde então, o professor da Faac foi afastado das atividades e a Unesp passou a apurar internamente as acusações. Algumas alunas também procuraram a Polícia Civil para registrar queixa de importunação sexual contra Bulhões, alegando que ele costumava, em sala de aula, fazer comentários com conotação sexual que causavam "medo", "desconforto" e "insegurança". O inquérito ainda está em andamento.

'MATERIALIDADE'

Segundo a Faac/Unesp, em seu relatório final, a comissão de sindicância recomendou pela abertura do PAd por ter encontrado 'materialidade' nas denúncias investigadas. Agora, esta é a 'última instância' e objetiva, em resumo, ao avaliar o que foi apurado, apontar se há possível pena disciplinar para ser aplicada ao docente, que pode variar desde advertência à exoneração. Essa análise é encaminhada ao reitor, que tem autonomia para acolher ou não à indicação. O prazo legal deste processo é de até 90 dias.

OUTRO LADO

Questionado pela reportagem a respeito do PAd, Marcelo Bulhões conta que teve acesso ao relatório da sindicância e afirma que "nada foi encontrado que imputasse a ele o crime de assédio sexual".

"A abertura de um PAd é totalmente sem fundamento, uma vez que nenhuma irregularidade cometi, e demonstra que houve desvio de finalidade da apuração: fui inocentado da acusação de assédio, como eu naturalmente esperava, e agora busca-se 'algo' para justificar toda a difamação de que estou sendo vítima", opina.

"O parecer da sindicância apenas colheu depoimentos de que em sala de aula eu comentei que o universo da literatura abriga todas as dimensões do humano, como a vida erótica", complementa o docente. Ele acrescenta, ainda, que apresentou queixa-crime contra a pessoa que, segundo ele, foi identificada como responsável por colocar o banner no câmpus em 2022.

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