Os rendimentos da carteira de investimentos da Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev) terminaram 2022 com 2,92% de retorno. O número é muito inferior à meta estabelecida para o ano, fixada em 10,81%, e preocupa o novo presidente da instituição, David Françoso, que acaba de assumir o cargo.
"Temos um déficit mensal de R$ 6,5 milhões em média. Isso precisa acabar. O resultado dos rendimentos ficou abaixo até mesmo da inflação registrada em 2022", afirmou Françoso nesta quinta-feira (19) ao JC. Segundo ele, o novo comitê de investimentos da Funprev - ainda em fase de formação - deve analisar o balanço.
O presidente não descarta a possibilidade de promover ajustes na carteira de investimentos. Há, porém, a necessidade de se seguir os limites em cada tipo de aplicação. Cada modalidade de aplicação deve respeitar um percentual definido por normas federais.
Uma série de fatores explica o resultado pífio no retorno das aplicações feitas pela Funprev. A pandemia, que no início do ano passado ainda afetava os mercados, é uma delas. Mas houve também a guerra da Ucrânia, que balançou as negociações no Brasil e derreteu fundos de investimento estrangeiros - nos quais a fundação investe parte de seus recursos.
A necessidade de retirar R$ 6,5 milhões mensais da carteira de investimentos para conseguir "fechar as contas" e pagar os benefícios aos aposentados, pensionistas ou servidores ativos também prejudicou. Menos recursos rendem menos, afinal, e as sucessivas retiradas fazem com que a Funprev tenha de obter retornos cada vez maiores.
OPERAÇÕES
Novo diretor-financeiro da fundação, o economista Diogo Nunes Pereira, 38, afirma que os rendimentos abaixo da meta começaram em 2020 com a chegada da pandemia de Covid-19. E admite que o Tribunal de Contas, responsável por fiscalizar os balanços da Funprev, deve apontar o problema nos julgamentos.
Eventuais apontamentos, porém, não devem gerar sanções à instituição. "Uma penalidade só viria caso descumpríssemos as leis que regulamentam fundos de previdência", explica.
No início de 2022, segundo informações, a Funprev tinha R$ 512 milhões disponíveis para investimento. E terminou o ano com pouco mais de R$ 13 milhões em retorno. O resultado ficou abaixo da meta pelo terceiro ano consecutivo.
Anos atrás, mesmo que as principais fontes de receita da Funprev não cobrissem o déficit da fundação, os resultados positivos dos investimentos faziam a entidade fechar as contas no azul. "Isso não vem ocorrendo mais", aponta Diogo.
O diretor-financeiro da fundação afirma que deve manter investimentos conservadores - aqueles em que há menos riscos de perdas - em 2023. Mas os técnicos da Funprev vão se debruçar sobre os fundos em que os recursos estão aplicados para avaliar se de fato são as melhores alternativas.