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Aplicações da Funprev despencam e nova comissão estuda os ajustes

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
André Fleury Moraes
O presidente da Funprev, David Françoso (à direita), ao lado do diretor-financeiro Diogo Nunes Pereira, em entrevista ao JC, nesta quinta, no Café com Política
O presidente da Funprev, David Françoso (à direita), ao lado do diretor-financeiro Diogo Nunes Pereira, em entrevista ao JC, nesta quinta, no Café com Política

Os rendimentos da carteira de investimentos da Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev) terminaram 2022 com 2,92% de retorno. O número é muito inferior à meta estabelecida para o ano, fixada em 10,81%, e preocupa o novo presidente da instituição, David Françoso, que acaba de assumir o cargo.

"Temos um déficit mensal de R$ 6,5 milhões em média. Isso precisa acabar. O resultado dos rendimentos ficou abaixo até mesmo da inflação registrada em 2022", afirmou Françoso nesta quinta-feira (19) ao JC. Segundo ele, o novo comitê de investimentos da Funprev - ainda em fase de formação - deve analisar o balanço.

O presidente não descarta a possibilidade de promover ajustes na carteira de investimentos. Há, porém, a necessidade de se seguir os limites em cada tipo de aplicação. Cada modalidade de aplicação deve respeitar um percentual definido por normas federais.

Uma série de fatores explica o resultado pífio no retorno das aplicações feitas pela Funprev. A pandemia, que no início do ano passado ainda afetava os mercados, é uma delas. Mas houve também a guerra da Ucrânia, que balançou as negociações no Brasil e derreteu fundos de investimento estrangeiros - nos quais a fundação investe parte de seus recursos.

A necessidade de retirar R$ 6,5 milhões mensais da carteira de investimentos para conseguir "fechar as contas" e pagar os benefícios aos aposentados, pensionistas ou servidores ativos também prejudicou. Menos recursos rendem menos, afinal, e as sucessivas retiradas fazem com que a Funprev tenha de obter retornos cada vez maiores.

OPERAÇÕES

Novo diretor-financeiro da fundação, o economista Diogo Nunes Pereira, 38, afirma que os rendimentos abaixo da meta começaram em 2020 com a chegada da pandemia de Covid-19. E admite que o Tribunal de Contas, responsável por fiscalizar os balanços da Funprev, deve apontar o problema nos julgamentos.

Eventuais apontamentos, porém, não devem gerar sanções à instituição. "Uma penalidade só viria caso descumpríssemos as leis que regulamentam fundos de previdência", explica.

No início de 2022, segundo informações, a Funprev tinha R$ 512 milhões disponíveis para investimento. E terminou o ano com pouco mais de R$ 13 milhões em retorno. O resultado ficou abaixo da meta pelo terceiro ano consecutivo.

Anos atrás, mesmo que as principais fontes de receita da Funprev não cobrissem o déficit da fundação, os resultados positivos dos investimentos faziam a entidade fechar as contas no azul. "Isso não vem ocorrendo mais", aponta Diogo.

O diretor-financeiro da fundação afirma que deve manter investimentos conservadores - aqueles em que há menos riscos de perdas - em 2023. Mas os técnicos da Funprev vão se debruçar sobre os fundos em que os recursos estão aplicados para avaliar se de fato são as melhores alternativas.

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