A fala de Haddad em Davos

Por Mauro Landolffi, professor |
| Tempo de leitura: 2 min

Durante o Fórum de Davos, a entrevistadora estava conversando com Haddad e Marina sobre a dificuldade em conciliar o poder público com os setores privados no sentido de garantir compromissos essenciais como a paz, o combate à desigualdade social, a proteção do meio ambiente. Haddad falou então da necessidade de convencer as grandes corporações (empresas) a assumir determinados compromissos públicos, com consequências práticas - compromisso com o meio ambiente, com igualdade de gênero, com combate ao racismo, sustentabilidade, respeito aos povos originários, princípios que até como consumidores nós temos condições de pressionar.

Continuou então a falar sobre maneiras de pressionar essas corporações.

Segue abaixo a transcrição literal de trechos da fala de Haddad (entre aspas) com comentário de jornalista do Jornal O Estado de SP - "Em função do engajamento de algumas empresas com o governo extremista que foi derrotado, muita gente deixou de consumir os produtos dessas empresas no Brasil", afirmou. "Eu sou um que não consumo sem prestar atenção de quem que eu estou adquirindo o produto. Eu não compro nem um palito de fósforo de uma empresa que não tenha compromisso com essas questões", completou, em referência ao posicionamento das companhias sobre diferentes aspectos ambientais, sociais e democráticos, que, segundo ele, serão prioridade para o novo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Bem, não parece necessário explicar aqui o que Haddad realmente disse, principalmente para quem já o ouviu falar em várias outras ocasiões. Mas vale reforçar: como comentado pelo jornalista do Estadão, o ministro afirmou que, quando vai comprar, procura seguir um procedimento, digamos, ético-cidadão: preocupar-se no seu dia a dia, como consumidor, com questões ligadas ao bem e interesse geral: questões ambientais, sociais e democráticas, que, segundo ele, serão prioridade para o novo governo Lula.

Não ocorre simplesmente nenhuma transgressão ao Código de Conduta do Servidor Público. As escolhas declaradas por Haddad não envolvem interesses ou conceitos de ordem pessoal, corporativista ou político-partidária. Não houve desrespeito à impessoalidade. Parcialidade não é isso. Empresas que agridem o meio ambiente, os direitos sociais e a democracia não fazem isso com base em ideologia ou preferência partidária.

A fala do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, na verdade expressa um compromisso com a sustentabilidade, com as questões sociais, com a democracia; um compromisso que deve, sim, ser de todos. Não há em suas palavras qualquer traço de revanchismo, mágoa política ou qualquer contradição aos lemas anunciados pelo novo governo. Só para esclarecer. É preciso saber relacionar os enunciados de um texto, e não interpretá-los isoladamente, para não elaborar ou mesmo aceitar conclusões enganosas e que distorcem o que foi realmente dito.

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