Diversos países organizaram suas agendas de crescimento baseados em ações visando estruturação das cadeias de suprimentos que foram impactadas pelas restrições impostas pela crise da Covid-19, causando desabastecimento e inflação mundo afora e também na estruturação de setores direcionados ao desenvolvimento econômico com menor emissão de CO2. Alemanha, França e Estados Unidos, entre outros países, traçaram planos robustos para esses fins.
O Brasil precisa seguir a mesma linha de atuação. É oportuno considerar a transição energética, o desenvolvimento de cadeias locais estratégicas de suprimentos e a eliminação dos gaps de ativos fixos e tecnológico no seu planejamento. É necessário ainda estabelecer condições de investimentos, eliminando as ineficiências sistêmicas que dificultam o planejamento e oneram a produção de bens e serviços no país.
O presidente do IBP - Instituto Brasileiro de Petróleo, Roberto Ardhengy, coloca frequentemente a transformação que vem ocorrendo no setor de Óleo e Gás, do ponto de vista internacional, especialmente no que se refere ao processo da transição energética. O mundo hoje está caminhando em busca de uma matriz energética mais limpa, embora o produto tradicional sabemos que moldou o desenvolvimento da sociedade Industrial como a gente conhece hoje. Então, ao longo de 200 anos, começando lá com o carvão, depois passando para o petróleo e agora chegando até o gás natural, ele simplesmente moldou um modelo de sociedade.
A substituição da energia fóssil por renovável está na agenda dos principais países. As metas abrangem um período de 30 anos e enfatizam a utilização do hidrogênio verde, por não emitir gases do efeito estufa, nem na produção, nem na utilização. Apesar dos esforços na substituição de combustíveis fósseis, a importância do petróleo e do gás natural ainda vai perdurar por várias décadas.
No caso do Brasil a situação é menos crítica, pois nossa matriz já contém quase 50% de fontes renováveis, enquanto a média de todos os países é inferior a 17%. Poucos países dispõem, ao mesmo tempo, de reservas de petróleo e gás natural e de potencial para a produção de combustíveis renováveis em praticamente todas as fontes primárias, tais como solar, eólica, biomassa, hídrica, como é o caso do Brasil.
Devido à importância da energia na geração de riqueza, é mandatório que o País trate esse tema como uma de suas prioridades, de modo a garantir o abastecimento e direcionar o atendimento às diversas demandas a favor do desenvolvimento nacional.