Em 1959, meu pai já era um 2º tenente na Fortaleza de Itaipu, em Praia Grande (SP). Ele costumava me levar aos quartéis onde serviu, na Baixada Santista. Num belo dia, fomos até o 6º Grupo Motorizado de Artilharia de Costa (R. Luís de Camões - Santos), cognominado no seio militar de "GEMAC", onde ele tinha servido anteriormente por 6 anos.
Eu tinha 18 anos de idade. A presença de meu pai naquele quartel era rever militares amigos. Estávamos numa praça interna. De repente, meu pai localizou alguém conhecido. Dirigiu-se então na direção dele. Que estava sentado de maneira escoteira num longo banco de madeira.
Quando o militar percebeu que meu progenitor dirigia-se a ele, levantou-se célere e em posição de sentido bateu continência respeitosa a um oficial do exército . Era um soldado conscrito (19 anos, de epiderme da cor do ébano, sorriso largo, destacando os dentes alvos como a neve).
Reconheci a figura do campeão mundial de futebol (1958) Edson Arantes do Nascimento, vulgo Pelé. Meu pai me apresentou a ele. Do breve e amistoso colóquio, relembro as sábias palavras do Marquês de Maricá: "Quereis conhecer um homem? Mudai-o de posição". Pelé era assim.
Jamais permitiu que a fama mundial lhe tirasse aquela simplicidade constante até seu derradeiro suspiro.
"Requiescat in pace", inesquecível
Rei Pelé.