Novo presidente da Fundação de Previdência dos Servidores Públicos Municipais Efetivos de Bauru (Funprev), o funcionário público aposentado David Françoso admite que a situação financeira deficitária da instituição exige mudanças. Eventuais alterações, porém, buscarão amenizar ao máximo o impacto aos contribuintes, diz.
"Vamos desenvolver um planejamento estratégico e elaborar um plano de ações e metas. A Funprev tem hoje 4 mil servidores, entre aposentados e ativos, e precisamos otimizar a gestão da fundação para continuar atendendo esse passivo", diz.
David foi eleito presidente da Funprev pelo próximo biênio na segunda-feira (2) após derrotar o servidor Gilson Gimenes numa acirrada disputa.
A eleição na Funprev é indireta: primeiro elegem-se os conselhos Fiscal e Curador - a este último cabe a escolha do presidente. Os conselhos são compostos por seis pessoas - três indicadas pelo Executivo e outras três eleitas pelo voto direto entre os servidores. Françoso, um dos indicados da Prefeitura, obteve 5 dos 6 votos do Conselho Curador.
O resultado incomodou alguns servidores, já que os conselheiros eleitos através de votação entre os próprios funcionários votaram no candidato do Executivo à Presidência. Françoso, por outro lado, discorda. "O Gilson é um amigo de grande estima. Mas creio que consegui os votos pelas propostas que apresentei", afirmou ao JC nesta terça-feira (3).
O novo presidente da Funprev foi secretário de Administração no governo Clodoaldo Gazzetta (PSDB) e se aposentou do serviço público em maio do ano passado. A escolha por se candidatar à Presidência da fundação, diz David, foi pessoal. "Também sou servidor aposentado", disse.
CONTAS
Outrora uma fundação pujante, a Funprev está em crise há pelo menos três anos. Hoje a instituição, que vive das receitas geradas pelo investimento dos ativos que tem em caixa, precisa resgatar R$ 6,5 milhões mensalmente para cobrir o déficit.
Os ativos - investidos em fundos de renda fixa ou variável, além de outras modalidades -, somados às outras fontes de receita que tem, geram R$ 17 milhões por mês.
O valor, porém, não é suficiente para cobrir uma folha de pagamento de R$ 23,5 mensais. "Isso não pode continuar senão vira uma bola de neve", aponta Françoso, que passou a atuar na Funprev em 2013 e não se lembra de ter visto situação semelhante antes.
O novo presidente defende que a Funprev busque novas fontes de receita. E não necessariamente permanentes. "Vamos começar a discutir a possibilidade de a prefeitura doar alguns terrenos, sobre os quais não há mais interesse da administração, para a Funprev. E a venda dessas áreas pode gerar recursos para a manutenção da fundação", explica. Ele antecipa, no entanto, que não há nada de concreto a esse respeito.
EXPECTATIVA
Outra aposta de Françoso está no aumento do quadro de pessoal da Prefeitura de Bauru. O governo estava proibido de contratar novos servidores por força de uma lei federal editada ainda na época da pandemia e cuja vigência terminou no ano passado.
Com o fim do veto às contratações, a administração admitiu 861 profissionais em 2022. "Não é possível estimar o percentual de incremento à receita da Funprev ainda. Vamos perceber isso ao longo do ano, mas estamos animados", admite.
Françoso passou o dia de ontem (3) analisando a situação da fundação e se reunindo com integrantes da Funprev. Nas palavras dele mesmo, "meu principal desafio é equacionar receita e despesa".
QUADRO
Para além do equilíbrio nas contas, o novo presidente também defende uma revisão na lei que regulamenta a Funprev, editada há 20 anos, em 2002. Para Françoso, a fundação poderia obter resultados melhores se os conselheiros não fossem trocados por completo a cada dois anos.
"Os dois conselhos são geralmente totalmente renovados. Isso atrasa o andamento da Funprev. Vamos avaliar, mas talvez um sistema de rodízio, que intercale as trocas, possa ser positivo. Não dá para começar tudo do zero sempre", destaca.