PRÊMIO DA OAB

Líder comunitária cria clube do livro e ganha um prêmio da OAB

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Solidade Roque Moreira (ao centro), com Adilson Sartorello, Julia Herrera Firetti, Daniela Guedes Bombini e Marcia Negrisoli, da OAB Bauru
Solidade Roque Moreira (ao centro), com Adilson Sartorello, Julia Herrera Firetti, Daniela Guedes Bombini e Marcia Negrisoli, da OAB Bauru

É dentro de um barracão construído com materiais reaproveitados que um mundo de imaginação pulsa, em todas as manhãs de sábado (21), no quintal da casa da líder comunitária Solidade Roque Moreira, carinhosamente conhecida como Fuá, no Jardim Europa, em Bauru. Entusiasta da educação como ferramenta de transformação social, há mais de dois anos, ela iniciou um projeto de leitura com crianças da comunidade, para incentivá-las, através dos livros, a criar, sonhar e descobrir novos mundos.

Devido à iniciativa, colocada em prática com poucos recursos financeiros, mas com muito carinho e dedicação, Fuá venceu o Prêmio Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) de Bauru, como pessoa física. A cerimônia de entrega do troféu ocorreu no último dia 16, na sede da entidade (leia mais abaixo). "Fiquei muito honrada, flutuando com esta homenagem", diz.

Ela conta que sempre gostou de ler e, há mais de 15 anos, busca estimular outras crianças a mergulharem nos livros. Porém, somente há dois anos conseguiu concretizar um clube de leitura de forma organizada e com um espaço físico específico, onde garotada é recebida semanalmente.

"Comecei com 12 crianças e com os livros que fui guardando ao longo do tempo. Depois, passei a receber doações e também a pegar livros descartados até mesmo no lixo", relembra. Com o tempo, o projeto ganhou corpo e, hoje, Fuá atende 33 crianças de 2 a 13 anos, com quem ela faz leituras de livros infantis que ensinam sobre vários temas, desde preservação do meio ambiente até o respeito ao próximo.

"Às vezes, eu leio para eles, às vezes, peço para uma criança ler e há ocasiões em que também peço para fazerem a interpretação de um personagem, escreverem um resumo da história ou mesmo inventarem sua própria história. Elas se divertem muito", detalha.

REDE DE VOLUNTÁRIOS

O enorme empenho de Solidade sensibilizou uma rede de voluntários e, além de livros, ela conseguiu doações de carteiras escolares, armários para guardar os livros, mesa, lousa, lápis, papel e caneta, entre outros materiais, incluindo adesivos coloridos, que as crianças recebem quando terminam uma tarefa. Todos os sábados, elas também recebem lanches e, mensalmente, uma voluntária doa um bolo, para comemoração dos aniversariantes do mês.

Fuá gosta de dizer que os livros são um passaporte que os pequenos têm nas mãos para viajarem a lugares inimagináveis e começarem a sonhar com um futuro em que possam se realizar como seres humanos e profissionais bem-sucedidos. "Criança gosta de ler e eu vejo isso em todos os sábados. É só estimulá-las e aguardar para assistir a transformação pela qual elas passam. Tenho muitos 'alunos' de 15 anos atrás que, hoje, estão morando em um lugar mais confortável, com um bom carro e um bom emprego", revela.

Reunindo esforços para ampliar a abrangência de seu 'clube do livro', visto que existem muitas crianças aguardando vaga para ingressar no projeto, Fuá planeja, agora, instalar um segundo barracão em seu quintal. "Com isso, minha ideia é separar duas turminhas por faixa de idade. Eu já tive uma professora voluntária que deu aulas de reforço escolar aqui, usando livros didáticos e meu desejo é que a gente consiga voltar a ter uma parceria como essa para poder atender mais crianças", completa.

INDICAÇÃO

Solidade Roque Moreira foi uma das indicadas ao Prêmio Direitos Humanos da OAB Bauru como pessoa física e escolhida como vencedora em votação que ocorreu em 5 de dezembro. Segundo a presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da entidade, Daniela Guedes Bombini, participaram da escolha os presidentes das comissões da entidade e os membros da CDH.

"Ela ganhou disparado. A Fuá é uma pessoa que não tem poder financeiro, mas que, com muita vontade, conseguiu fazer este trabalho lindo", observa. Vice-presidente da CDH, Julia Herrera Firetti - que escreveu o texto para defender o nome de Solidade para a premiação - também comemorou a vitória. "Ela fez muito mais do que a maioria das pessoas, inclusive aquelas com muito mais recursos. E é tudo feito com capricho. É bonito de ver como todo este trabalho estimula as crianças", completa.

 Líder comunitária Solidade Roque Moreira, carinhosamente conhecida como Fuá (crédito: Arquivo pessoal)
Líder comunitária Solidade Roque Moreira, carinhosamente conhecida como Fuá (crédito: Arquivo pessoal)
Fuá mostra livro para as crianças  (crédito: Arquivo pessoal)
Fuá mostra livro para as crianças (crédito: Arquivo pessoal)

Comentários

Comentários