Guardar dinheiro, a extinção da pandemia de Covid-19 e conquistar um emprego melhor são as três maiores esperanças dos brasileiros para o ano de 2023, que começou neste domingo (1). Segundo pesquisa realizada pelo Instituto Travessia, de São Paulo, e divulgada nesta última semana pelo site Metrópoles, 45% da população têm a expectativa de poupar mais, 44% espera que o fim da pandemia seja decretado e 42% querem conseguir uma oportunidade mais vantajosa no mercado de trabalho.
Este último, inclusive, havia figurado na primeira posição da pesquisa realizada pouco antes da virada de 2021 para 2022. No mesmo período, guardar dinheiro era uma esperança de apenas 32% das pessoas.
Na avaliação de Renato Dorgan, cientista político e proprietário do Travessia, a mudança de ordem no ranking está diretamente vinculada à pandemia, que surpreendeu e mudou a rotina de toda a população, levando muitos brasileiros, inclusive, a perderem o emprego ou fecharem seus negócios. E, considerando o baixo nível de educação financeira dos brasileiros, a grande maioria não possuía reserva financeira e enfrentou dificuldades.
"Com este choque, muitos entenderam a importância de se prevenir financeiramente, uma cultura já muito bem estabelecida em países europeus, nos Estados Unidos. É claro que essa não é uma possibilidade para todos, mas pessoas de classe média, que costumavam gastar tudo o que ganhavam, passaram a agir de forma diferente", observa.
Além disso, outro movimento de mudança, segundo Dorgan, é que a expectativa de conquistar um emprego melhor não está mais atrelada somente a uma vaga de trabalho com salário superior, mas também que traga maior realização profissional. "Nas pesquisas qualitativas que realizamos, percebemos que esta questão mais existencial, de trabalhar com o que gosta, que traz satisfação, está voltando com força. É algo que havia ficado soterrado nestes últimos dois anos", descreve.
OTIMISMO
A pesquisa foi realizada entre os dias 14 e 15 de dezembro, com cerca de mil pessoas com idades a partir de 16 anos, por telefone, em todo o País. A margem de erro é de 3% pontos para mais ou para menos e o nível de confiança, de 95%.
O levantamento também mostrou um maior nível de otimismo dos brasileiros, já que 71%, ou sete a cada dez entrevistados, declararam que sua vida será melhor em 2023, mais que o dobro do índice apresentado pela pesquisa anterior, quando apenas 29% disseram esperar que 2022 seria mais favorável que o ano anterior.
Dorgan lembra que, no fim de 2021, não havia muitas perspectivas de melhoria econômica no Brasil. Naquele momento, a inflação estava alta e as pessoas, perdendo poder de compra. Já na segunda metade de 2022, a economia registrou certa melhora e, com o avanço do processo de vacinação, a pandemia foi perdendo força.
"Além disso, principalmente para o povo pobre, a eleição do Lula, tida como uma tábua de salvação, também foi motivo para renovação desta esperança. O marketing do PT conseguiu vincular o partido e a figura do Lula à mensagem de cuidado, preocupação com os pobres. A melhoria econômica, inclusive, foi o mote da campanha dele. Assim, a esperança, que havia se perdido de 2016 para cá, foi retomada, especialmente para esta camada social", analisa.
Além dos 71% que esperam melhoria de vida, outros 10% acreditam que sua situação continuará igual e 13% acham que ficará pior.
CRISE POLÍTICA, INFLAÇÃO E CORRUPÇÃO SÃO CITADOS COMO PIORES PROBLEMAS
A pesquisa elaborada pelo Instituto Travessia também revelou quais os maiores problemas que o País deverá enfrentar em 2023, na opinião dos brasileiros. E, para 23% dos entrevistados, a crise política será o maior entrave, seguido da inflação, que foi apontada como a principal dificuldade por 21% das pessoas. Em terceiro lugar, figura a corrupção, com 17% das citações.
Para se ter ideia, na pesquisa anterior, realizada em 2021, sobre as perspectivas para 2022, o desemprego aparecia no topo da lista, seguido por falta de vacinas e segurança. Segundo Renato Dorgan, cientista político e proprietário do Travessia, a maior preocupação com corrupção e crise política resultam da eleição de Lula, que venceu o pleito em votação apertada, com menos de 2% de vantagem sobre Jair Bolsonaro no segundo turno. "É importante lembrar que Bolsonaro recebeu 49,1% dos votos válidos, ou seja, quase metade do total, e os bolsonaristas mantém muito forte o discurso do medo da volta da corrupção, além de ceticismo em relação à melhoria da economia com o PT na presidência", pontua.
Mas, apesar da eleição extremamente polarizada, com grande volume de votos úteis, ou seja, definidos pelos eleitores que desejavam derrotar um candidato, a expectativa, segundo Dorgan, é de que o acirramento de ânimos arrefeça já a partir de janeiro ou fevereiro.
QUASE METADE DA POPULAÇÃO ACHA POSSÍVEL AMPLIAR GASTOS COM ALIMENTOS
Bens duráveis, como carros e imóveis, e viagens de turismo figuram na sequência; 29%, contudo, não projetam ampliar despesas
Ao mesmo tempo em que projetam a possibilidade de guardar dinheiro e conseguir um emprego melhor em 2023, os brasileiros também projetam aumentar gastos com alimentação no próximo ano. É o que aponta a pesquisa realizada pelo Instituto Travessia, de São Paulo, que ouviu com cerca de mil pessoas por telefone, em todo o País, entre os dias 14 e 15 de dezembro. O levantamento foi divulgado na última semana pelo site Metrópoles.
Com a possibilidade de optarem por mais de um tipo de gasto, 43% dos entrevistados citaram achar possível ampliar despesas com alimentos; 19% com bens duráveis, como carros e imóveis; e 13% com viagens de turismo. Porém, 29% revelaram que não deverão desembolsar mais dinheiro com qualquer tipo de produto ou serviço.
Na pesquisa, aliás, 32% das pessoas ouvidas declararam acreditar que seu poder de compra irá aumentar em 2023. Outros 28% disseram que deverá ficar igual e 31%, diminuir. Ainda que longe de ser uma unanimidade, o otimismo com o ano que começa hoje também aparece quando os entrevistados opinaram sobre a situação da economia do Brasil. Durante estes 12 meses, 36% acredita que ela irá melhorar, 28% projeta que ficará igual e 29% que deverá piorar.