Em Bauru

ETE: mesmo sem terminar obra, antiga empreiteira pode receber R$ 1 milhão

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Marivaldo do Drone/DAE/Divulgação
ETE Vargem Limpa está sendo construída há quase 8 anos, em área ao lado do Distrito Industrial 1; obra está parada desde rompimento de contrato
ETE Vargem Limpa está sendo construída há quase 8 anos, em área ao lado do Distrito Industrial 1; obra está parada desde rompimento de contrato

Mesmo não tendo entregado a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa no prazo previsto, a empresa COM Engenharia, antiga responsável pela obra, ainda pode ter direito a receber cerca de R$ 1 milhão da Prefeitura de Bauru.

É o que indica um relatório técnico que apurou discrepâncias em pagamentos da administração à empreiteira. O documento confirma a falta de correção monetária em vários dos repasses encaminhados com atraso à empresa.

O levantamento final da perícia saiu no final de novembro e calcula uma diferença de R$ 1,1 milhão entre o que foi pago pela governo e o que efetivamente deveria ter sido liquidado. Tanto a Prefeitura como a COM Engenharia ainda podem contestar o laudo, e o processo está longe de terminar.

A ação foi ajuizada pela COM Engenharia em 2020, um ano antes de a Prefeitura romper o contrato com a empresa em ato unilateral.

Na época da rescisão, em setembro de 2021, a prefeita Suéllen Rosim (PSC) convocou uma coletiva de imprensa para anunciar o rompimento e disse ter encontrado uma série de irregularidades na obra.

Segundo o governo, foram constatadas mais de 700 fissuras nos tanques, problemas de escoramento nas lajes e erros na aplicação de concreto.

As circunstâncias do rompimento do contrato também pararam na Justiça (leia mais abaixo). A ação que questiona os pagamentos é outra, que tramita de forma independente das demais.

A COM Engenharia alega que os repasses deveriam ser feitos 30 dias após a execução de cada etapa dos serviços. E aponta sucessivos atrasos nos pagamentos por parte da administração. Alguns débitos, diz a empresa, foram liquidados com mais de 80 dias de atraso.

A empreiteira sustenta que a demora nos pagamentos prejudicou a manutenção da obra e defende a aplicação de correção monetária no período em que o atraso perdurou.

O chamado "ajuste compensatório" - acréscimo no valor em razão do atraso - foi, inclusive, uma obrigação reconhecida pelo setor jurídico da Prefeitura, fato reconhecido pela perícia. "Temos a concluir que os pagamentos realizados pela administração não seguiram os prazos e cláusulas do contrato", diz o relatório.

ROMPIMENTO

Para além dos impasses no pagamento, a rescisão unilateral do contrato por parte da Prefeitura também acabou na Justiça. E questiona, entre outras coisas, o relatório elaborado pela administração que justificou o rompimento.

A empresa diz, por exemplo, ter alertado a administração sobre o risco de haver fissuras na construção através de um e-mail encaminhado em 2018 apontando omissões no projeto da obra da ETE.

O texto está anexado aos autos do processo e, segundo a COM Engenharia, a própria Prefeitura não atestou irregularidades a esse respeito na época.

Ainda de acordo com a empresa, o relatório da Prefeitura é "incompleto" e colocado sob suspeita pelo próprio Departamento de Água e Esgoto de Bauru (DAE) - que indicou, em um documento oficial, que "até o momento ninguém apontou incisivamente onde está o vício que impede a finalização da ETE".

A COM diz ainda que o processo administrativo a que foi submetida foi "instaurado à sorrelfa, está revestido de ilegalidades e configura abuso de autoridade".

Num contra-ataque efetuado dias depois de a COM ter ajuizado a ação contra a rescisão contratual, a Prefeitura de Bauru também foi à Justiça. E pediu para que uma eventual perícia na obra apure os impactos não apenas estruturais das alterações do projeto, mas também ambientais - já que as mudanças, segundo o governo, foram "profundas".

E mais: a administração aponta ainda que a empreiteira, ao longo da execução contratual, cometeu falhas que inviabilizaram a manutenção da obra. Uma delas, por exemplo, estava na falta de atualização do livro diário da obra, necessário em grandes empreendimentos.

A ausência da atualização do diário, aliás, levou a Prefeitura a advertir a COM Engenharia num procedimento administrativo. Nenhum dos casos que tramitam na Justiça possuem sentença definitiva.

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