EM BAURU

Ex-vizinhos e crônica bauruense relembram histórias e passagens de Pelé

Por Bruno Freitas | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Acervo pessoal
Pelé e Leonardo de Britto se cumprimentam em visita do Rei a Bauru, em 1975; veja mais fotos no final
Pelé e Leonardo de Britto se cumprimentam em visita do Rei a Bauru, em 1975; veja mais fotos no final

Pelé e o pai Dondinho eram muito queridos por toda a vizinhança nas imediações das ruas Sete de Setembro e Rubens Arruda, localidades onde moraram em Bauru. Uma destas famílias era a Tayar. Três gerações conviveram com Pelé e ajudaram a família do Rei, que no início dos anos 50 era muito pobre.

Segundo César Tayar, o Canhoto, 77 anos, ele cresceu vendo Pelé se tornar o Rei do Futebol. A diferença deles é de cinco anos. "Meu avô Adib Tayar e meu pai Ramiz Tayar ajudaram muito a família do Dondinho. Éramos vizinhos. Certa vez, em uma das visitas dele a Bauru, ele disse aos amigos que nunca esquecia da gente, porque não deixamos a família passar fome em um período de necessidade da infância", relata.

"Ele me propôs, depois do bicampeonato de 1962, a me levar para Santos, para fazer testes no profissional, porque eu era um ponta-esquerda que se destacava em Bauru, mas meus pais não me deixaram ir", conta Canhoto.

"GOSTAVA DE BAURU"

Outro que destaca que Pelé marcou sua vida foi o ex-goleiro do Noroeste, Francisco Cefaly Neto, o Chiquinho, 76 anos, que defendeu um pênalti do Rei em plena Vila Belmiro, em 1965. "Na época eu tinha 18 anos, perdemos de 6 a 2, mas eu pulei para o canto direito na penalidade e fiz uma das principais defesas da minha vida. Foi, inclusive, a minha estreia no Campeonato Paulista", cita.

Chiquinho acrescenta que escuta até hoje muitas pessoas dizendo que Pelé não gosta de Bauru, o que para ele é uma grande bobagem. "Pelé tinha compromissos no Brasil todo e até internacionalmente. Veio sempre para cá quando tinha tempo. É claro que, quando ele vinha, algumas pessoas se sentiam desprestigiadas por ele não procurar, mas era impossível ele se confraternizar com todo mundo em pouco tempo. Ele movia multidões", frisa o ex-goleiro, que também morou perto da casa do Rei, no Centro.

VERSUS NOROESTE

Pelé chegou a treinar no Esporte Clube Noroeste, em amistosos do profissional, entre 1954 e 1955, onde, inclusive, segundo o memorialista Luciano Dias Pires, chegou a fazer gols e ter contrato e até valores de salário apalavrados na época de sua adolescência. Os registros são escassos, mas, em um dos jogos, o menino marcou quatro gols na goleada por 8 a 2 sobre um selecionado de Ibitinga-SP.

Mas a história traçou o seu caminho para Santos, onde o time da Vila Belmiro fez proposta irrecusável para Dondinho e a mãe Celeste.

A não permanência de Pelé no Noroeste parece nunca ter sido perdoada pela torcida da época, tem registrado Luciano Dias Pires. Na década de 1960, em um jogo contra o Santos, em Bauru, torcedores vaiaram o Rei durante quase todos os 90 minutos. Depois de marcar um gol, ele teria feito gestos provocando os torcedores locais.

O jornalista Leonardo de Brito complementa que a primeira partida de Pelé, pelo Santos, contra o Noroeste foi em 1958, quando o Peixe sagrou-se campeão paulista pela quarta vez e deu ruim para o supercraque. O Alvirrubro venceu diante de público numeroso no velho estádio noroestino.

"Pelé jogou muitas vezes contra o Noroeste. Meu último contato presencialmente com o eterno camisa 10 foi em 1975, quando ele cumpriu longa agenda em Bauru. Pela manhã, junto com Audálio Dantas, inaugurou a sede Regional do Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo. E à tarde, no campo do BAC, marcou vários gols na vitória do Baquinho contra o Caçula, revivendo, 23 anos depois, a final infanto-juvenil; à noite, na Câmara Municipal, recebeu o título de Cidadão Bauruense. Participei dos três eventos, sempre colado ao Rei, causando ciumeira em muita gente", recorda o jornalista, que foi editor de Esportes por muitos anos no JC.

Ele acrescenta que Deus perdeu a receita após criar Pelé. "É único, é eterno".

'PELÉ FEZ COISAS QUE NENHUM OUTRO JOGADOR SEQUER SONHARIA', DIZ PRESIDENTE DA FIFA

Atleta exemplar e dono de habilidade e imaginação incomparáveis. Foi assim que Gianni Infantino, presidente da Fifa (Federação Internacional de Futebol), definiu Pelé em texto no qual homenageou o Rei do Futebol, morto nesta quinta-feira (29) aos 82 anos de idade.

Em carta publicada no site da maior entidade do futebol mundial, o dirigente lembrou as ocasiões em que esteve pessoalmente com Pelé e revelou ter nutrido admiração pelo Rei desde a infância.

"Pelé fez coisas que nenhum outro jogador sequer sonharia [...] Seu legado é impossível de resumir em palavras", afirmou. A entidade também publicou um vídeo com depoimentos sobre Pelé e cenas da carreira do ex-camisa 10 da Seleção Brasileira.

Pelé, ainda adolescente, ergue taça Jules Rimet após atuações magistrais no Mundial da Suécia (crédito: Twitter/Reprodução)
Pelé, ainda adolescente, ergue taça Jules Rimet após atuações magistrais no Mundial da Suécia (crédito: Twitter/Reprodução)
Luciano Dias Pires com a camiseta do antigo clube de Pelé em Bauru, o BAC (crédito: Malavolta Jr./JC Imagem)
Luciano Dias Pires com a camiseta do antigo clube de Pelé em Bauru, o BAC (crédito: Malavolta Jr./JC Imagem)
Pelé e Leonardo de Britto se cumprimentam em visita do Rei a Bauru, em 1975 (crédito: Acervo pessoal)
Pelé e Leonardo de Britto se cumprimentam em visita do Rei a Bauru, em 1975 (crédito: Acervo pessoal)
Pelé ao lado de Quioshi Goto, ex-editor de fotografia do JC (crédito: Arquivo pessoal)
Pelé ao lado de Quioshi Goto, ex-editor de fotografia do JC (crédito: Arquivo pessoal)
Placa de Pelé no Hall de Personalidades do Esporte da Casa de Leis (crédito: Edson Severino/Divulgação)
Placa de Pelé no Hall de Personalidades do Esporte da Casa de Leis (crédito: Edson Severino/Divulgação)

Comentários

Comentários