Sem educação não há progresso

Por Olga Neme Daré |
| Tempo de leitura: 3 min
A autora é colaboradora de Opinião

Se não existir um efetivo combate à injustiça social; se mantivermos bolsões de miserabilidade; se as instituições socioeducativas, de recuperação de menores infratores, são escolas de criminalidade; se a educação continua sendo vista e trabalhada, apenas, como aparelho de controle ideológico do Estado, através da instrução formal; se a espiritualidade do ser só é restrita à devoção religiosa; se a formação moral da criança e do jovem continua relegada às discussões inúteis dos gabinetes filosóficos-pedagógicos; se o homem vive como um indivíduo egoísta e materialista, nenhuma medida paliativa de esforço contra os efeitos de todas essas causas do desequilíbrio social humano terá resultado positivo.

A humanidade está doente, mas não me refiro à saúde física, e sim à saúde da alma, contaminada pelos vírus do egoísmo, da materialidade e da ignorância. Qual é o remédio? A educação moral. Onde encontrar este remédio? Nas lições grandiosas do mestre Jesus, divulgadas pelas religiões.

Por que os livros das escolas, de História Universal, não citam o período da humanidade em que Jesus passou pela Terra? É porque "Ele foi tão grande que a sua história não coube na história da Humanidade", disse um historiador.

Somente a educação moral que promove a espiritual pode transformar e educar os homens; assim, eles não mais terão necessidade de leis rigorosas e impositivas. Educação, esta, entendida como formadora do caráter do ser, diante da sua realidade como alma imortal.

O combate à criminalidade deve continuar, assim como o melhoramento de nossa legislação penal, porque disso, ainda, temos necessidade.

Portanto, a crise moral em que está mergulhada a sociedade humana, não deve ser, exclusivamente, como um caso de segurança pública. É um estado complexo individual e coletivo que, somente, a aplicação continuada da educação da alma, poderá resolver.

Brasileira, pianista, viajante, pesquisadora e produtora, ganhou, em Londres, vinte pianos usados, mas em ótimo estado, e trouxe para o Brasil, mais precisamente, à Amazônia. Ela é Carla Ruaro, que projetou uma "turnê" pela Grande Mata, a fim de levar música à comunidade ribeirinha, tão carente de assistência social.

Sem recursos próprios, Carla iniciou uma campanha de captação e parcerias, conseguindo o necessário para acomodar num barco, um dos pianos e saiu viajando pelos rios Tapajós e Arapiuns, no Pará. Os recursos foram levantados por meio de uma campanha de crowdfunding (forma de arrecadação de dinheiro pela internet) e patrocínios. Eles, os pianos, estavam guardados em depósitos, com um custo para armazená-los, disse Carla Ruaro. Mas, dirão vocês, que estão lendo este texto: o que isto tem a ver com a educação?

E eu lhes respondo: muito, mesmo, pois a música é um recurso muito precioso para a educação dos povos; até mesmo como tranquilizante de doentes, usada em alguns hospitais.

No Brasil, temos muitas notícias de que ela, a boa música, mudou muito o comportamento de jovens e crianças de favelas, que participam de corais, de conjuntos musicais, e até mesmo de algumas orquestras.

Isto devemos aos gigantes compositores, como Chopin, Liszt, Brahms, Mozart, Gounod e Schubert, com as suas divinas composições como "Ave Maria" e outros tantos, que nos levam a esquecer a materialidade da vida, apurando nossos sentimentos, o que nos faz mudar o comportamento para as coisas do bem.

Povos educados na boa música, assistem-na até sentados na grama dos grandes auditórios ao ar livre, como tivemos oportunidade de assistir, através das reuniões que eram oferecidas pela Cláudia Giovanini, no seu projeto "Amigos da Boa Música".

O povo europeu, formado por jovens, adultos e crianças, lota as poltronas e os gramados, assistindo, em silêncio sepulcral, até o fim da apresentação musical, aplaudindo, alegremente, num espetáculo inesquecível.

Campanhas existem para o desapego aos bens materiais; façamos uma campanha ao desapego às mazelas da alma, como egoísmo, ciúme, inveja e todos os seus derivados, e teremos o nosso objetivo encontrado.

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