APROVA LEI

Câmara aprova lei do Suas, mas rejeita vincular receita ao setor

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Pedro Romualdo/Câmara de Bauru
Vereadores deliberam sobre os projetos durante intervalo da sessão extraordinária de ontem (22) do Legislativo bauruense
Vereadores deliberam sobre os projetos durante intervalo da sessão extraordinária de ontem (22) do Legislativo bauruense

A Câmara de Bauru aprovou ontem (22) o Projeto de Lei (PL) que regulamenta o Sistema Único de Assistência Social (Suas) no município - a chamada Lei Orgânica da Assistência Social. Rejeitou, porém, uma emenda modificativa ao texto que obrigaria o município a investir o mínimo de 5% de seu orçamento anual no setor.

Por 10 votos a 6, a maioria dos vereadores entendeu que a Constituição Federal proíbe a vinculação de receita a quaisquer pastas que nao sejam Educação ou Saúde, áreas em que há obrigatoriedade de investir 25% e 15% respectivamente - também conhecido como "mínimo constitucional".

A emenda foi incrementada ao projeto pela prefeita Suéllen Rosim (PSC) num acordo costurado com a vereadora Estela Almagro (PT), segundo a qual a vinculação de parte do orçamento à Assistência Social é uma demanda de entidades do terceiro setor do município.

Se aprovada, a medida determinaria que nenhum prefeito poderia destinar à Assistência Social menos do que o previsto na emenda - 5% do orçamento anual.

Suéllen se comprometeu a encaminhar a alteração depois de uma reunião com a petista, que vinha pressionando o governo mantendo projetos cruciais para a administração sob a mesa da Comissão de Fiscalização e Controle, da qual Estela é presidente.

Os primeiros a levantar dúvidas sobre a constitucionalidade da emenda foram Eduardo Borgo (PMB) e Coronel Meira (União Brasil). Foram seguidos pelos demais colegas em seguida. "Ninguém é contra o projeto. O problema é aprovarmos isso agora e a Justiça derrubar depois", afirmou Borgo durante a discussão.

Os vereadores criticaram, entre outras coisas, o fato de a emenda ter sido encaminhada à Câmara sem um parecer da Procuradoria Jurídica da Prefeitura. "Jogam isso nas nossas costas", reclamou Borgo.

Coronel Meira, por sua vez, chamou de "irresponsável" a postura do governo ao encaminhar uma alteração ao projeto sem um parecer jurídico. "Estamos numa situação difícil. O projeto é importante, mas a emenda é inconstitucional", apontou.

José Roberto Segalla (União Brasil), por sua vez, entendeu que uma eventual aprovação do destaque poderia abrir um precedente perigoso na Câmara Municipal.

"Cada vereador tende a ser mais ligado ou relacionado com algum setor. Daqui a pouco teremos um percentual mínimo para o Esporte, por exemplo. Isso retira a discricionariedade do poder público sobre o orçamento", disse.

IMPASSE

Com a incerteza sobre a constitucionalidade da matéria, vereadores passaram vários minutos discutindo a viabilidade de se suspender a sessão para que o consultor jurídico da Câmara emitisse um parecer sobre o texto.

Presidente da Casa, Markinho Souza (PSDB) interveio na discussão e afirmou que, neste caso, a sessão poderia se estender por horas ou mesmo por um dia. "O consultor terá o tempo necessário para se sentir seguro no parecer jurídico", pontuou. "Não exercerei qualquer pressão sobre ele", prosseguiu.

Coube ao vereador José Roberto Segalla sugerir que a Câmara rejeitasse a emenda neste primeiro momento. Em seguida, sinalizou, a prefeita Suéllen poderia encaminhar um novo texto sobre a matéria, desta vez em forma de Projeto de Lei, no ano que vem. "Aí, sim, teríamos pareceres, discussões e segurança jurídica", apontou.

CONTESTA

Estela Almagro não escondeu o incômodo ao perceber que a emenda - da qual foi principal articuladora - seria rejeitada. "Vejo com clareza que estamos vivendo um déjà vu da eleição para a Presidência da Câmara", disse a petista, sugerindo que a oposição a estivesse retaliando por ter votado em Júnior Rodrigues (PSD), ex-líder da prefeita Suéllen na Casa.

Ela contesta, por exemplo, o argumento dos colegas de que, da forma como está escrita, a emenda traria insegurança jurídica. "Esse mesmo argumento não foi válido quando votamos, em 2020, a chamada Lei do Comércio. Sabíamos que seria derrubada uma semana depois, mas mesmo assim aprovamos", criticou Estela.

PROJETO QUE CRIA CARGOS É RETIRADO

A Câmara retirou da pauta de ontem (22) o projeto que cria uma série de cargos no governo e autoriza a implementação de duas novas subseções da Secretaria de Administrações Regionais (Sear) - uma no Mary Dota e outra na Vila Independência. Prevaleceu o entendimento de que não há informações suficientes para que o texto fosse votado ainda neste ano. Isso porque a proposta ainda tramita nas comissões permanentes, que aguardam respostas da Prefeitura sobre o tema. Os vereadores também criticaram a pressa com que o governo tratou a votação do projeto.

O Legislativo, porém, aprovou a proposta que altera regras do moto-frete, uma demanda de motoristas de aplicativo que não havia sido atendida até então. A medida exime os motoristas do enquadramento da lei do moto-frete, cuja burocracia, criticam os profissionais, aumenta os custos pessoais e dificulta suas rotinas de trabalho.

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