QUER EXPANSÃO

Na ‘onda Tarcísio’, Republicanos quer 40 novos diretórios na região

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Isabele Scavassa
Marcos Bilancieri (à direita) acompanhado do vereador Edson Miguel, presidente do Republicanos, durante visita ao Café com Política no JC na terça (20)
Marcos Bilancieri (à direita) acompanhado do vereador Edson Miguel, presidente do Republicanos, durante visita ao Café com Política no JC na terça (20)

A exemplo do que ocorreu com o PSL de Jair Bolsonaro em 2018, o Republicanos aposta na "onda Tarcísio de Freitas" para se expandir no Estado de São Paulo.

O governador diplomado, que toma posse em 1 de janeiro, é filiado à legenda e deve ser o principal motor de crescimento do partido nos próximos anos.

O dono desta tarefa já tem nome na região de Bauru. É o professor Marcos Bilancieri, ex-vereador e ex-prefeito de Boraceia por dois mandatos.

Candidato a deputado estadual nas eleições de outubro, ele obteve 19.952 votos. "Não fui eleito, mas tive uma votação expressiva. Isso foi reconhecido na cúpula estadual do partido", afirmou ao JC na terça-feira (20).

Bilancieri está incumbido de articular a abertura - ou a reorganização, nos locais onde a sigla já existe - de pelo menos 40 novos diretórios municipais do Republicanos na região.

"A expectativa é grande. A ordem é para que tenhamos a legenda em cada um dos municípios paulistas", explica. Há locais onde o partido não existe, e outros em que ele está inativo.

O principal objetivo do projeto é, nas palavras do professor, dar suporte ao governador Tarcísio e aumentar o quadro de um partido até então coadjuvante no cenário político.

"Queremos crescer, mas queremos crescer com qualidade. Não queremos filiar milhares de quadros ruins só para ter quantidade", pontua.

Ele não descarta, por exemplo, convidar prefeitos a se filiarem ao Republicanos. Há um foco também em vereadores do PSC - que poderão migrar de legenda ante a fusão com Podemos.

"Creio que muita gente não gostaria de estar no Podemos. O mesmo acontece com prefeitos do PSDB. Uma mudança ao Republicanos garantiria proximidade com o governo", aponta.

PROJETOS

Bilancieri também diz que há uma segunda tarefa a ser realizada concomitantemente à expansão do partido em São Paulo: levar as demandas regionais ao futuro governador.

"Muita coisa ainda precisa ser resolvida. A habitação é uma delas. Tem gente pagando mais de R$ 1 mil nas parcelas de financiamento. Isso é um absurdo, deve ser revisto", aponta.

Segundo o professor, Tarcísio de Freitas está ciente desta demanda desde a época de campanha. "Conversei com ele sobre isso há meses, antes mesmo da eleição", ressalta.

Uma segunda prioridade, afirma, é o emprego. "Precisamos de projetos que desenvolvam a região e especialmente a cidade de Bauru, que tem perdido indústrias", destaca.

A tarefa é difícil, admite, e deve passar necessariamente pela revisão da Lei do Cerrado, obsoleta em sua avaliação. "Nossa região é a que menos cresce em todo o Estado", critica.

Ele afirma que há um tabu quando se fala em rever leis sobre temas ambientais, mas aponta que o tema precisa ser tratado "com a devida coragem". "Ninguém vai destruir o Cerrado", diz.

ELEIÇÃO

Candidato nas eleições de outubro a deputado estadual, Bilancieri obteve a maior parte de seus votos em cidades vizinhas a Bauru. No município, propriamente, recebeu 1.652.

"Não tive uma grande estrutura de campanha por aqui. Mas não podemos reclamar. Resta trabalhar para conseguir resultados melhores", defende.

Para o professor, houve dificuldade em emplacar seu nome como um representante de Bauru, município onde leciona há mais de 30 anos. "Foi uma experiência. Bola para frente", diz.

ELEIÇÃO MUNICIPAL

A orientação das diretorias nacional e estadual do Republicanos é para que as legendas municipais não antecipem quaisquer discussões a respeito da eleição de 2024. Presidente da comissão provisória do partido em Bauru, o vereador Edson Miguel não descarta, por exemplo, lançar um candidato próprio para a disputa. Mas também admite que há a possibilidade de compor na chapa da prefeita Suéllen Rosim (PSC). "Tem muita coisa para acontecer. Vamos conversando", diz.

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