Bolsonaro, queremos paz

Por Pedro Grava Zanotelli |
| Tempo de leitura: 3 min
O autor é ex-presidente da Ordem dos Velhos Jornalistas de Bauru

Bolsonaro, não é possível que não tenha consciência de que nós estamos preocupados e temerosos do que possa acontecer nestes próximos dias, cuja amostra de violência e vandalismo já foi dada em Brasília, no dia 12 passado, e pode espalhar-se pelo país. Um reduzido grupo de descontentes com o resultado da eleição está provocando medo, agredindo e até causando a morte e prejuízo para toda a população.

Esse é o bem que você quer para a "sua Pátria Amada Brasil"? Você diz ter como lema Deus, Família e Propriedade e ama a instituição onde se preparou, chamando-a de "meu Exército". Você também se diz cristão, sendo o primeiro candidato a chamar a religião para dentro da política, então poderia juntar dois apelos profundamente humanos: um da Canção do Exército - "A paz queremos com fervor, a guerra só nos causa a dor", o outro do Evangelho - "Dize uma palavra, e meu servo ficará curado (Lc 7,1-10)."

O seu silêncio, intercalado por mensagens dúbias, está levando os seus apoiadores, solidários com a sua frustração e sofrimento pela perda da eleição, a um sacrifício inglório, quando pacificamente protestam, passando dias e noites reunidos em frente de unidades do Exército ou expondo-se ao crime, quando partem para o vandalismo, porque pedem o indesejável, que seria o retorno ao regime militar, do qual a sua 'Pátria Amada Brasil' se livrou depois de muitos anos de sofrimento.

Isso, sinceramente, a população brasileira não quer mais. A outra coisa que pedem é a anulação da eleição, que transcorreu com segurança e sem qualquer fraude que a prejudicasse. Isso não será possível e as tentativas com protestos violentos provocarão confrontos com mortes. Bastam as mortes que vimos tendo com a pandemia e os desastres naturais, que matam e desabrigam. Você também sempre disse que é democrata e que atua dentro das quatro linhas da Constituição. Juntando os dois apelos acima com estas suas afirmações, basta que diga, de viva voz, aos seus fiéis defensores que quer a Paz, que não vai morrer e nem abandonar os seus ideais, porque perdeu a eleição, e que também não teria tranquilidade no resto de sua vida se ficasse responsável pelas mortes de uma luta de irmãos contra irmãos.

Quanto ao futuro do Brasil sob o comando do Lula, nada ajuda ficar falando do seu passado, como também falarão do seu e de nada valerá. O que vale é ter esperança de que poderá dar certo e manter vigilância para alertar sobre os erros e colaborar no que puder, porque, se não der certo os penalizados seremos todos nós.

Como ensina Emmanuel: "É preciso continuar crendo no homem e na sua infinita capacidade de renovação e sublimação e que, mediante a realidade de que daremos conta de nós próprios às Leis do Universo, importa reconhecer que os acontecimentos que nos sobrevenham não são para nós as coisas mais importantes da existência e sim as nossas reações diante delas".

Como o Sol que se renova todos os dias a vida continuará e que seja com paz.

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