Após quase uma década de preocupação para moradores da Vila Falcão, a "novela" do prédio abandonado do antigo 1.º Distrito Policial (DP), na avenida Comendador Daniel Pacífico, parece estar chegando ao fim. A Prefeitura de Bauru e a Secretaria do Desenvolvimento Regional do Estado assinaram convênio que garante a liberação de R$ 700 mil para reforma e adequação do imóvel. O espaço, que se transformou em ponto de usuários de drogas, caminha, enfim, para dar lugar a serviços sociais.
Conforme noticiado pelo JC, o imóvel foi desocupado pela Polícia Civil em 2013 e devolvido pelo Estado à Prefeitura de Bauru. Desde então, a intenção do Executivo era instalar ali um Centro de Referência em Assistência Social (Cras) e um Centro de Referência Especializado em Assistência Social (Creas).
Mas, até o mês passado, segundo a prefeitura, não havia sequer previsão para isso ocorrer, pois uma reforma dependia de repasse de verba estadual. A situação evoluiu durante a última visita do governador Rodrigo Garcia (PSDB) a Bauru, no final de novembro. Entre outros anúncios, ele liberou R$ 700 mil para a obra.
Nesta semana, a prefeitura informou que o convênio foi assinado e que, inclusive, a Secretaria Municipal de Obras iniciou o processo de elaboração do edital da licitação que contratará a empresa para a reforma do espaço. Apesar de a situação ter caminhado, o Executivo ainda não fala em prazos.
'NOVA CRACOLÂNDIA'
Até que tenha uma ocupação adequada, o prédio da antiga delegacia da Vila Falcão segue servindo de ponto de encontro para usuários de drogas e pessoas em condição de vulnerabilidade.
Conforme mostrou o JC em agosto deste ano, moradores do bairro chegaram a apelidar o prédio de "nova cracolândia de Bauru", após dependentes químicos se dispersarem da extensão da linha férrea, onde normalmente se reuniam, e passarem a se concentrar no imóvel da Comendador Daniel Pacífico.
Na época da reportagem, a Polícia Militar (PM) apontou que uma possível motivação para a ocupação do prédio seria a posição geográfica da edificação. Inclusive, a proximidade com a linha do trem permitiria acesso à região central, onde os usuários de drogas conseguem alimento, banheiro e pedem dinheiro para comprar bebidas alcoólicas ou ilícitos.