Mais novo presidente da Câmara, o vereador Júnior Rodrigues diz que cumpriu com sucesso seu papel enquanto líder do governo Suéllen Rosim (PSC) na Casa, mas que a partir de agora fala como presidente do Legislativo. "Fui líder, e não bajulador. A Câmara continua independente", garante.
Júnior recebeu 10 dos 17 votos à Presidência na eleição, que foi realizada nesta quinta-feira (15), e derrotou, com facilidade, os candidatos adversários.
Em entrevista ao JC, o presidente eleito rejeita qualquer hipótese de interferência do Executivo, aposta num biênio repleto de projetos importantes e assume a necessidade de se pensar numa nova sede ao Legislativo. A seguir, os principais trechos da conversa:
JC - O resultado de ontem surpreendeu muita gente. Principalmente porque o sr., líder da prefeita na Câmara, conseguiu votos até mesmo da oposição. Você também ficou surpreso?
Júnior Rodrigues - Assumi a liderança de governo para acalmar os ânimos e ser a ponte entre o Legislativo e o Executivo. Sempre busquei o consenso e o diálogo, até porque foi o papel a que me propus. O vereador Segalla e a vereadora Estela, que estão na oposição, reconhecem isso e por isso acreditaram em meu nome. Nunca saí das quatro linhas em minha atuação. Não vai ser diferente.
JC - O sr. fez um discurso hoje garantindo que a Câmara será independente. Podemos esperar isso?
Júnior - Com certeza. Eu fui líder de governo, não bajulador da prefeita. Defendi a administração e muitas vezes também apontei erros. Fiz o melhor que pude como líder. E agora vou fazer meu melhor enquanto presidente da Casa. A Câmara continua independente, exatamente como ela deve ser.
JC - Tivemos uma sessão tumultuada para presidente. Como o sr. avalia a disputa e a sessão de hoje?
Júnior - Tínhamos cinco candidatos , parte deles renunciou depois, mas o fato é que uma candidatura não se constrói do dia para a noite. Eu construí meu nome ao longo de anos. Fui assessor, chefe de gabinete, estou vereador, fui líder de governo e agora serei presidente da Câmara. Não costurei apoio numa madrugada. Estou subindo um degrau de cada vez na escada. Quando pedem para suspender a sessão, por exemplo, não vejo com surpresa. Acontece toda vez, é legítimo.
JC - O sr. citou a escada que está subindo com cautela. Depois de presidente, já tem em mente sobre qual será o próximo degrau dessa trajetória?
Júnior - É prematuro pensar nisso agora. Já estou na Câmara há 10 anos, entrei quando ainda era assessor, e sempre digo que tenho muito a aprender. A Presidência será uma experiência nova para mim. Vou focar nisso agora. Trabalhar para oferecer um Legislativo acessível à população. Estou com o pé no chão.
JC - O sr. renunciou nesta semana à liderança do governo. Como foi a conversa com a prefeita?
Júnior - Ainda no começo do ano, quando houve o convite para assumir a liderança, disse à prefeita que aceitava o posto durante um ano. E que depois nós avaliaríamos a manutenção disso. Depois, ao longo do ano, começaram a sondar minha candidatura à Presidência da Câmara. Quando vi que tinha chances, conversei com a Suéllen e expus a situação. Falei que não poderia continuar na liderança enquanto presidente. Ela aceitou. Foi uma conversa muito positiva.
JC - Teremos um biênio importante no âmbito do Legislativo. A população espera projetos importantes, como a lei de zoneamento, por exemplo, que não chegaram nos últimos dois anos. Como o sr. pretende pautar e cobrar essas propostas?
Júnior - Serão dois anos muito importantes. Há projetos encaminhados, outros em elaboração, mas o fato é que tudo passa pela Câmara, que se torna protagonista disso. Teremos que discutir a PPP da Iluminação, acompanhar a manutenção da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE), o Plano Diretor e a Lei de Zoneamento, que acaba de retornar à Casa com algumas mudanças. Creio que vamos avançar muito. Não seremos submissos ao Executivo e aposto num excelente diálogo.
JC - A próxima legislatura será composta por 21 vereadores. Ao mesmo tempo, a Câmara está situada num prédio com pouco espaço, gabinetes apertados e uma plateia enxuta. Como o sr. pretende reorganizar o Legislativo para abrigar a nova leva? Um novo prédio está em discussão?
Júnior - São duas coisas distintas e que devem passar não só por mim, mas pela mesa diretora com a qual fui eleito. Existe um projeto para se criar um centro administrativo, mas ainda preciso me aprofundar na proposta. De qualquer forma, a urgência por uma nova sede é inevitável. Creio que chegou o tempo de a Câmara se mudar e precisamos respeitar isso. Não sabemos, porém, quanto tempo leva para se construir algo assim. Então devemos desde já pensar numa adaptação do atual prédio.
JC - A pergunta é inevitável. Quem será o futuro líder do governo Suéllen Rosim?
Júnior - Não faço ideia. Creio que isso só será definido no ano que vem.