EM BAURU

Após chuvas, parte da calçada do antigo Maksoud desaba, no Centro

Por Tisa Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Tisa Moraes
Homens trabalham para reparar a calçada que desmoronou na rua Araújo Leite com a Capitão João Antônio
Homens trabalham para reparar a calçada que desmoronou na rua Araújo Leite com a Capitão João Antônio

Após as chuvas intensas registradas em Bauru na última semana, parte da calçada que contorna o prédio com obras paralisadas do grupo hoteleiro Maksoud, na região central da cidade, desmoronou. Segundo a empresa, a grande quantidade de água que desceu pela quadra 18 da rua Araújo Leite, onde a rede de galerias é subdimensionada, solapou o subsolo, levando ao afundamento do passeio público na esquina com a rua Capitão João Antônio.

Imagens registradas por uma câmera de segurança de uma loja vizinha mostram que a calçada ruiu na madrugada da última quarta-feira (7) (veja o vídeo acima). Nesta segunda (12), o grupo iniciou os trabalhos de reparo do local, que estão sendo executados por uma empresa terceirizada. Se a chuva der trégua, a previsão é de que a obra seja concluída em 15 dias.

Em nota, o grupo Maksoud informou que a área interna, que possui cerca de 10 mil metros quadrados, não sofreu nenhum dano. "A erosão foi causada exclusivamente por falha na captação de águas pluviais e em decorrência do alto índice pluviométrico registrado na semana que passou", cita. Não houve registro de feridos.

Placas de sinalização também caíram junto com o concreto. Como a erosão é grande, com cerca de dois metros de profundidade, o trânsito de pedestres foi bloqueado no local. Uma faixa de rolamento em um trecho da quadra 18 da rua Araújo Leite também precisou ser interditada.

RECUPERAÇÃO

De acordo com a empresa, a recuperação só foi iniciada nesta segunda-feira por ter havido necessidade de realizar cotação de preços, já que o custo da obra não é pequeno. Embora a construção de um shopping e hotel no local tenha sido paralisada há mais de 30 anos, o grupo informa que o terreno não está abandonado, visto que recebe manutenções periódicas.

"O que aconteceu naquela calçada ocorre em outras áreas de Bauru em época de chuvas, como a avenida Nações Unidas. A água desceu com muita força na Araújo Leite e infiltrou, levando tudo o que estava embaixo, porque as bocas-de-lobo não deram conta de garantir o escoamento", acrescenta.

Ao Jornal da Cidade, o secretário municipal de Obras, Leandro Joaquim, confirmou que o problema foi ocasionado por um conjunto de fatores, como a intensidade das chuvas e o subdimensionamento da rede de drenagem de águas pluviais. Mas salientou que a estrutura subterrânea daquela obra, que é antiga, pode não estar completamente adequada.

"E isso nos leva a pensar se não há risco de novos desmoronamentos em todo o entorno da área. Não identificamos, por exemplo, a existência de parede de contenção. Por isso, faremos uma fiscalização para verificar as reais condições do local", frisa o secretário.

Questionada, a empresa informou que paredes de contenção estão posicionadas junto aos pilares de sustentação de toda a obra.

IPTU PROGRESSIVO

O desmoronamento, que só ganhou visibilidade nesta segunda, levou o vereador José Roberto Segalla (União Brasil) a usar a tribuna, durante a sessão ordinária da Câmara de ontem, para cobrar a prefeitura sobre a necessidade de aplicar o IPTU Progressivo.

A ferramenta obriga donos de imóveis ociosos a fazerem, no prazo de um ano, o uso adequado do bem ou, ao menos, a apresentarem projeto para demonstrar como a área será ocupada, sendo que a conclusão das obras deve ocorrer em até cinco anos.

Conforme o JC noticiou, o grupo Maksoud foi notificado pela Secretaria Municipal de Planejamento (Seplan) em fevereiro de 2018. De acordo com a lei, diante do descumprimento da norma, o valor do IPTU deveria ter sido aumentado em 50% a cada ano, durante cinco anos, até o limite de 15% do valor do imóvel, avaliado à época em R$ 5 milhões.

Encerrado o prazo final estipulado, ou seja, fevereiro de 2023, a prefeitura iniciaria o processo de desapropriação da área, com pagamento em títulos da dívida pública. Procurada no início da noite desta segunda-feira, a assessoria de imprensa da prefeitura informou que verificaria nesta terça a atual situação daquele prédio junto à Seplan.

Comentários

Comentários