EM MISSÃO

O frei que venceu a malária na África mais de 40 vezes

Por Tânia Morbi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Divulgação
Em meio a muitos desafios, frei André Gurzynski realizou várias ações sociais em Angola
Em meio a muitos desafios, frei André Gurzynski realizou várias ações sociais em Angola

Sempre balizado pela fé, ele lembra com um sorriso sereno no rosto das mais de 40 vezes que adoeceu de malária em um país distante - com cultura completamente diferente e uma rede de assistência médica precária. Este é o frei André Gurzynski, que completou 60 anos no final de novembro.

Por 14 anos, entre 2008 e 2022, o religioso morou na Missão da Província da Imaculada, em Angola (África), onde venceu por dezenas de vezes a doença também chamada de paludismo e enfrentou outras várias dificuldades. Porém, nenhum desses obstáculos foi grande o bastante para impedir a realização de diversas ações sociais.

O frei reside, hoje, no Seminário Santo Antônio de Agudos (13 quilômetros de Bauru). Pertencente à Ordem dos Frades Menores (Franciscanos), é assessor diocesano da Pastoral da Ecologia Integral da Diocese da Arquidiocese de Bauru e representante local do Serviço Franciscano de Justiça, Paz e Integridade da Criação (JPIC). Atualmente, inclusive, ele desenvolve trabalho de incentivo à agricultura familiar na periferia bauruense.

DIFICULDADES

A experiência do frei André na África começou com dificuldades antes mesmo de ele sair do Brasil. Devido a problemas do Serviço de Migração e Estrangeiros de Angola, o visto do religioso para entrada no país demorou 18 meses.

Ele foi convidado para desenvolver em Angola a mesma ação que criou no Centro de São Paulo: o Serviço Franciscano de Solidariedade (Sefras), uma rede de trabalho social.

"Mas cheguei e não era nada do que esperava. Não tinha condições de fazer o que tinha imaginado. Então, fui ajudar a construir nosso seminário em uma província de Quibala, distante 400 quilômetros de Luanda, onde todas as compras eram feitas", conta.

Entre o trabalho pesado na construção ou na agricultura, as celebrações em aldeias distantes e a formação de seminaristas, foram oito anos até ser transferido para Malange, onde permaneceu até voltar ao Brasil.

Antes, frei André saiu ileso de ser picado por uma cobra, o que poderia ser fatal, já que não havia recurso próximo, como soro antiofídico. Mas não se livrou de um acidente com uma máquina agrícola que caiu com o disco sobre o seu pé, causando um corte profundo e esmagando parcialmente o membro.

Felizmente, os conhecimentos em naturoterapia, com o uso do barro, evitaram a amputação, conta. "Depois de mais de 40 dias usando barro, meu pé estava curado", destaca. A experiência foi transmitida por ele aos moradores locais, por ser um produto cicatrizante e ajudar a curar ferimentos diversos, garante o frei. "É formidável. Própolis e barro me salvaram em muitas situações", complementa.

PALUDISMO

As histórias de frei André facilmente poderiam virar um livro. Um "capítulo", contudo, impressiona: a quantidade de vezes que contraiu e se recuperou da malária. Foram, segundo ele, mais de 40.

O religioso conta que a estrutura de saúde na capital Luanda é boa, porém cara. Já a rede pública no interior do país é bastante precária. "O que mais mata em Angola é o paludismo. As grandes cidades são desenvolvidas, mas quando a pessoa se afasta para as aldeias, tudo é muito precário. Passei alguns anos sem ter a doença. Mas depois da primeira, não passava mais de 15 dias sem contrair de novo. Graças a Deus, tive oportunidade de tratar sempre no início", comenta, ponderando que outros freis morreram por conta da enfermidade.

A malária foi tão marcante nesta experiência que, 15 dias depois de chegar ao Brasil, em fevereiro deste ano, descobriu que estava infectado e se curou porque havia trazido de Angola um remédio específico.

DE VOLTA

De volta ao Brasil, chegou a Agudos bastante fragilizado. No entanto, recuperou-se bem e, hoje, desenvolve um projeto de agricultura familiar e outras atividades sociais em bairros da periferia de Bauru, como hortas comunitárias, em parceria com o Projeto Comunidade que Sustenta a Agricultura (CSA), pois integra a Pastoral da Ecologia Integral.

"(Ecologia integral) é um termo criado pelo Papa Francisco e se preocupa com as questões socioambientais, em unir o ser humano e a natureza", conclui.

Frei André Gurzynski chegando no Aeroporto de Cumbica, em fevereiro deste ano, ainda bastante debilitado (crédito: Divulgação)
Frei André Gurzynski chegando no Aeroporto de Cumbica, em fevereiro deste ano, ainda bastante debilitado (crédito: Divulgação)
Ações do frei na África envolveram formação de seminaristas e celebrações em aldeias distantes (crédito: Divulgação)
Ações do frei na África envolveram formação de seminaristas e celebrações em aldeias distantes (crédito: Divulgação)
Frei André também realizou trabalho pesado na construção e na agricultura (crédito: Divulgação)
Frei André também realizou trabalho pesado na construção e na agricultura (crédito: Divulgação)

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