Uma decisão da cúpula diretiva do MDB de Bauru retirou a pré-candidatura do vereador Guilherme Berriel à Presidência da Câmara Municipal para abrir caminho à entrada de Mané Losila na disputa. A eleição que define o dirigente da Casa para o biênio 2023-2024 acontecerá na próxima quinta-feira (15), às 9h.
A medida - que alguns vereadores classificaram como "imposição" - foi costurada num almoço entre Mané e Guilherme na terça-feira (6), num restaurante de Bauru. Berriel confirmou o encontro e a retirada de sua candidatura ao JC, mas disse que houve um acordo consensual com Losila. Não entrou em outros detalhes.
Berriel estava em campanha há mais de um mês, desde que deixou a cadeira de presidente da Câmara que ocupou interinamente durante a licença do atual dirigente, Markinho Souza (PSDB). Colegas do vereador já contabilizavam pelo menos três votos para o emedebista.
A pessoas próximas, sobretudo no Legislativo, ele não escondeu seu descontentamento com a manobra de seu partido.
Ele teria dito a um vereador, que conversou reservadamente com o JC, que o acordo representou "uma apunhalada pelas costas" e que "aceitou a medida de coração partido". Berriel, afinal, costurava uma pré-candidatura havia tempos.
CENÁRIO
A entrada de Losila na disputa lança um novo adversário a Júnior Rodrigues (PSD), líder da prefeita na Câmara e até então virtual favorito à Presidência. A manobra do MDB, agora confirmada, foi antecipada pelo JC na semana passada.
Losila está em licença não remunerada desde o mês passado e retorna para a Câmara na próxima quarta-feira (14), um dia antes da eleição. Uma ala dos vereadores classifica o perfil do parlamentar como "republicano" e elogia, por exemplo, o bom trânsito que Mané tem tanto com a oposição como com a situação.
A maneira como o MDB conduziu a manobra entre Losila e Berriel, porém, pode ser um obstáculo ao novo candidato. O modus operandi do MDB, segundo apurou o JC, incomodou ao menos dois vereadores na Câmara Municipal. E cada voto conta muito numa eleição da qual participam apenas 17 pessoas.
ILESO?
Parte dos vereadores ainda não digeriu a candidatura de Mané Losila. Há divergências mesmo entre aqueles que gostam do vereador. E por um motivo particular: eles avaliam que Mané se licenciou para evitar as votações sensíveis pelas quais a Câmara passou na semana passada.
A começar pelo robusto aumento salarial dos parlamentares, que passará de R$ 7 mil para R$ 14 mil em 2025, e do incremento aos vencimentos do cargo de prefeito.
Mas também há um terceiro projeto, ainda mais delicado, que pretende aumentar de 17 para 21 o número de cadeiras na Câmara para a próxima legislatura.
A proposta foi aprovada em primeiro turno na semana passada e volta a ser discutida na próxima sessão de segunda-feira (13) - exatamente um dia antes de Losila retornar ao cargo. Há quem veja uma tentativa de Mané em "sair ileso" das votações.
Apesar dos reveses internos, Losila deve conseguir articular uma candidatura confortável, disseram vereadores ao JC. Até porque essa seria a "última cartada" de Mané, que tem revelado a colegas estar cansado da política e que não pretende se candidatar à reeleição.
Enquanto o emedebista enfrenta esses desafios, terá também de lidar com outros potenciais candidatos.
A exemplo de Coronel Meira (União Brasil), que não declara publicamente, mas avalia, segundo o JC apurou, entrar na disputa.