BAURU

Censo em Bauru deve revelar população inferior aos 381 mil estimados pelo IBGE em 2021

Por Tisa Moraes | da Redação
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Segundo Bruno Hirsch, número de imóveis cresceu em Bauru
Tisa Moraes
Tisa Moraes

Realizado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Censo Demográfico 2022 em Bauru deverá revelar um número menor de habitantes do que a estimativa feita pelo órgão em 2021, quando a projeção era de 381.706 moradores. Agora, com o levantamento já em sua reta final, a expectativa é de que a cidade não alcance este patamar, mas supere a população registrada no último Censo, de 2010, quando foram contabilizados 343.937 residentes no município.

De acordo com a atualização mais recente, da última quinta-feira (1), desde o dia 1 de agosto, foram recenseadas 285.572 pessoas em Bauru. A este número, soma-se outros 47 mil moradores, que não foram localizados em suas residências ou se recusaram a responder o questionário, totalizando, então, cerca de 332,5 mil habitantes.

O quantitativo é apenas uma estimativa, considerando que estas recusas ou ausências ocorreram em 17,7 mil do total de 145 mil endereços visitados até o momento. "Chegamos a esta projeção de 47 mil pessoas, tendo em vista que a média de moradores por imóvel em Bauru é de 2,68 pessoas", explica Bruno Dal Medico Hirsch, coordenador de área do Censo na região de Bauru.

O número estimado, contudo, poderá ser menor ou maior, o que só se saberá quando o Censo for finalizado. Hirsch acrescenta que, diante de eventuais recusas, o recenseador é orientado a ao menos conseguir a informação sobre quantos moradores vivem no imóvel.

AUSÊNCIA

Já quando ninguém é encontrado na residência, a recomendação é recorrer a vizinhos para obter o dado. "Este trabalho já está sendo feito. Mas, como nestas situações é preciso reportar o ocorrido ao IBGE em São Paulo, nós ainda não temos acesso à estatística real", complementa.

Ainda de acordo com ele, estes imóveis deverão ser novamente visitados ao longo deste mês, até que seja possível alcançar um índice de 5% de recusas ou ausências, o máximo tolerável para validar o recenseamento. "Vamos depender muito, agora, da nossa capacidade de trabalho, porque estamos com apenas com 110 recenseadores e cerca de 25 foram requisitados para trabalhar em São Paulo, que está com o recenseamento atrasado", observa.

Os demais, em sua maioria, ainda estão visitando áreas que ainda não foram cobertas, como os bairros no entorno do início da avenida José Vicente Aiello e do final da avenida Elias Miguel Maluf, que dá acesso à rodovia Comandante João Ribeiro de Barros (Bauru-Marília).

"Assim, acredito que iremos ultrapassar a população contabilizada no Censo de 2010, mas tudo indica que não chegaremos à estimativa do IBGE de 2021. O aumento não será tão significativo em termos populacionais, mas detectamos que a quantidade de domicílios cresceu bastante, já que a estimativa era de 116 mil, mas já chegamos a 145 mil. Isso indica que o número de moradores por casa deverá diminuir", reforça.

DEFICIÊNCIA

As estimativas populacionais, atualizadas todos os anos, são definidas com base no Cadastro Nacional de Endereços para Fins Estatísticos (Cnefe); no Censo, levantamento mais completo em informações normalmente realizado a cada dez anos; e na contagem populacional, feita cinco anos após o Censo. Porém, a última contagem, prevista para 2015, não ocorreu por falta de verbas, o que significa que a mais recente estimativa populacional está baseada nos dados de 12 anos atrás, fato que pode explicar as diferenças que vêm sendo encontradas nos dados levantados agora.

"As estimativas, em alguns casos, estão bem erradas. Como exemplo, tivemos a cidade de Balbinos (73 quilômetros de Bauru), onde a projeção do IBGE para o ano passado era de 7 mil pessoas, mas encontramos 3,5 mil pessoas. Estamos vendo muitas diferenças em vários lugares", revela Hirsch.

Em contrapartida, os municípios de Piratininga, Macatuba, Borebi e Ubirajara ultrapassaram a estimativa de 2021. Já na comparação com o Censo de 2010, a expectativa é de que Pirajuí e Presidente Alves 'encolham', ou seja, registrem população menor.

CRESCIMENTO DO MUNICÍPIO

A previsão de pequeno aumento da população de Bauru em 12 anos poderá decepcionar parte dos moradores da cidade, porém, o resultado, se confirmado, não deverá representar grande impacto em termos de arrecadação para o município. Titular da Secretaria Municipal de Finanças, Everton Basílio explica que, em relação ao Fundo de Participação dos Municípios (FPM), repassado pela União, por exemplo, não haverá qualquer alteração, já que o coeficiente máximo para o cálculo das transferências é o mesmo para cidades acima de 156.216 habitantes.

"Já em relação à composição do repasse de ICMS, o número de habitantes tem pequena influência. Então, no todo, não haverá um impacto significativo", frisa. A mesma análise é feita pelo advogado Pedro Fiorelli, que é especialista em direito público e presidente do I-Nova Cits.

Para ele, o maior prejuízo deverá ser dos municípios menores que 'encolherem', visto que eles são mais dependentes do FPM e da arrecadação de ICMS para se sustentarem e poderão ter o volume de repasses diminuído.

"É algo que merece a atenção de Bauru, até porque municípios da região com menos recursos poderão começar a demandar mais os serviços da cidade, como assistência de saúde", frisa, destacando que, mais do que crescer numericamente, as cidades precisam contar com planos de desenvolvimento mais robustos para garantir o aumento da renda média de suas populações.

SERVIÇO

Quem ainda não foi recenseado também pode entrar em contato com o IBGE de Bauru pelo (14) 3214-1778 e agendar a visita do recenseador ou, ainda, responder ao questionário presencialmente na agência, que fica localizada na rua Engenheiro Saint Martin, 17-69, Centro. Vale destacar que o morador que se recusar a participar do Censo, após solicitação do IBGE, poderá ser multado em até 10 salários mínimos, conforme prevê a legislação federal.

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