BAURU

Detran: funcionária é presa após fazer em minutos baixas que levariam dias

Por Vitor Oshiro | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Polícia Civil/Divulgação
Computador e telefone celular da funcionária foram apreendidos
Computador e telefone celular da funcionária foram apreendidos

Cerca de quatro minutos. Esse foi o tempo que uma funcionária do Detran.SP em Bauru precisou para executar baixas de desbloqueio e transferência de veículos que levariam até três dias para serem feitas legalmente. A "agilidade impossível" dela levantou suspeitas por parte da Superintendência do órgão. Acionada, a Polícia Civil, por meio do Setor Especializado de Combate aos Crimes de Corrupção, Crime Organizado e Lavagem de Dinheiro (Seccold), constatou a inserção de dados falsos em sistema de informações e prendeu a mulher em flagrante.

De acordo com o delegado Gláucio Eduardo Stocco, titular do Seccold Bauru, após a deflagração da Operação Gravame, em setembro, cujas investigações foram iniciadas em Bauru e revelaram fraude milionária no Detran em todo o País (leia mais abaixo), o órgão de trânsito ampliou o monitoramento dos seus funcionários.

Assim, nesta quinta-feira (2), a Superintendência constatou que M.P.D. (só as iniciais foram divulgadas pela polícia) havia feito o desbloqueio e a transferência de dois veículos de forma irregular e acionou a Polícia Civil.

"Os trâmites levam, normalmente, cerca de dois a três dias para serem executados. Mas, ela fez esses procedimentos em torno de quatro minutos. Esse foi o tempo em que o pedido subiu no sistema até ela dar baixa. Então, surgiu a suspeita de que ela estava fazendo isso sem estar com os documentos dos veículos em mãos, o que é obrigatório, e inserindo dados falsos no sistema", detalha o delegado.

APREENDIDOS

Diante da possível irregularidade, a equipe do Seccold foi até o prédio do Detran.SP em Bauru e constatou o crime, prendendo a funcionária em flagrante. "Também apreendemos no local o computador e o celular dela", complementa Stocco.

Ainda segundo a Polícia Civil, quando questionada sobre o crime, a mulher teria dito informalmente aos investigadores que "todo mundo faz, por esse motivo ela também fez".

Porém, após interrogatório formal junto de sua advogada, negou a prática criminosa ou o favorecimento de despachantes, alegando que todos os procedimentos feitos na quinta-feira foram por ordem superior ou por um equívoco. "Trata-se de um crime inafiançável, que prevê reclusão de dois a 12 anos e multa", conclui o delegado Gláucio Eduardo Stocco, titular do Seccold Bauru.

A funcionária foi encaminhada para a Cadeia Pública de Avaí, onde aguardaria para passar por audiência de custódia. Em caso de liberação, deverá ser afastada das funções públicas.

As investigações seguem para apurar a participação de demais envolvidos.

Em nota, o Detran.SP disse que a servidora será afastada e responderá a procedimento administrativo, que pode levar à demissão. Ressaltou, por fim, que "trabalha exaustivamente para combater ocorrências de delitos e fraudes no âmbito do órgão, bem como busca o aprimoramento na prestação de serviços de qualidade à população".

OPERAÇÃO GRAVAME

Conforme o JC noticiou, em 21 de setembro deste ano, foi deflagrada a Operação Gravame, que desmantelou uma fraude nacional milionária em diversos serviços do Detran.SP. As investigações, conduzidas pelo Seccold de Bauru, revelaram que os suspeitos atuavam em quase 20 Estados, realizando mais de 3 mil operações ilegais. Na ocasião, cinco pessoas foram presas - entre elas, um diretor do departamento na Capital - e 11 mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

A funcionária flagrada nesta semana, inclusive, havia sido investigada nessa ação de setembro. Na ocasião, chegou a prestar depoimento e negou praticar qualquer crime ou mesmo ter conhecimento de que colegas de trabalho cometiam delitos.

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