OPINIÃO

Água e poesia, vetores da existência

Por Adilson Roberto Gonçalves |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é pesquisador da Unesp Rio Claro

Finalizando a sequência de artigos ("Autoproteção na linguagem acadêmica", 13/11, e "Ciência saindo da redoma", 24/11), interligando linguagem científica com a questão da educação e da água, entendo que é necessário ao menos um pouco de poesia para que as pessoas possam melhor entender que a vida é água e água é vida. Assim, os conceitos científicos seriam tratados de uma forma mais humana, sendo que uma das formas mais humanas da nossa existência é a poesia. Não há nenhum outro ser vivo que faça poesia.

A água é um excelente tema principal de estudo, mesmo porque nós somos água. Podemos hoje até viver dela distanciados, mas tendo 70% da massa de nosso corpo feito de água, não há como perder essa origem. Pode ser que exista algum tipo de vida baseada em outra substância, mas nós não conhecemos. O universo é enorme, talvez alguma resposta mais definitiva seja encontrada para essa questão. A água está sempre presente, pois foi estudada desde os primórdios dentro do conceito dos quatro elementos fundamentais (água, fogo, terra e ar), muito antes da química. Os gregos já discutiam a presença da água, avaliavam sua importância e dimensão, conceitos que têm sido trazidos até nós por milênios, com muitas transformações, mas que devem ser resgatados para fortalecer a participação de todos na construção do saber. Precisamos, sim, resgatar um pouco dessa poesia da existência, baseada que é nas questões naturais, repetindo que todo o conhecimento gerado precisa de ser levado a todos.

A água pode ser múltipla, mas a vida é uma só. Assim misturamos nossa vida: o que é feito na vida pessoal, política, social, acadêmica, qualquer outra, está interligado. Evitemos ficar somente nos aspectos negativos, pois há uma forte mensagem de otimismo, que é a de maior participação das pessoas nas decisões sociais. Todos estão sendo mais cobrados e na questão da água a decisão coletiva passa a ser muito importante. Mesmo em ano político pesado, com acontecimentos e desacontecimentos, precisamos entender que parte da solução passa pela escolha de melhores governantes e representantes eleitos para que as políticas públicas realmente sejam feitas, não podendo optar pela não-política.

Finalizando essas reflexões, a educação é o fundamental para superar momentos difíceis. A falta de políticas públicas, as especulações imobiliária, financeira e econômica, os problemas políticos, a ignorância associada à desinformação, tudo isso está relacionado com a educação e com o sentimento de pertencer efetivamente a uma sociedade. Saber por que você pertence a essa sociedade e conhecer seus meandros é parte dessa ciência poética, englobando também o que notadamente nós criamos e rotulamos de conhecimento.

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