RODÍZIO ÁGUA

Investimentos do DAE não acabam com o racionamento a curto prazo

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Pedro Romualdo/Câmara de Bauru
O presidente do DAE, Marcos Saraiva (em primeiro plano), durante reunião pública, ontem
O presidente do DAE, Marcos Saraiva (em primeiro plano), durante reunião pública, ontem

Em reunião pública que discutiu os problemas da gestão de recursos hídricos em Bauru, o presidente do DAE, Marcos Saraiva, admitiu que os investimentos feitos pela autarquia não acabam com o rodízio a curto prazo.

O encontro, realizado na tarde de ontem (30), na Câmara de Bauru, foi organizado pela Comissão de Obras do Legislativo, presidida pelo vereador Coronel Meira (União Brasil). Guilherme Berriel (MDB) e José Roberto Segalla (União Brasil), integrantes da comissão, também participaram.

Segundo Saraiva, não é possível vislumbrar uma situação de normalidade do abastecimento de água em Bauru mesmo ao término das obras de investimento entre o final de 2022 e o ano que vem inteiro - estão previstos, por exemplo, novos reservatórios e poços de captação.

O fim definitivo dos rodízios em Bauru, sinalizou o presidente, depende, sobretudo, da normalização do nível de água da lagoa de captação do DAE. E isso depende de fatores externos, como a recuperação de afluentes do Rio Batalha - obra que depende de licenças ambientais para ser realizada.

Meira também questionou Saraiva sobre as reclamações de moradores de que alguns bairros ficaram sem água por um período maior do que o previsto no rodízio.

O presidente do DAE admitiu o problema. "Isso foi causado principalmente porque, ao invertermos os registros para alternar os grupos do rodízio, o equipamento quebrou. E quebrou com o reservatório cheio", afirmou. Segundo ele, foi preciso esvaziar o reservatório - enviando água para os bairros que já estavam recebendo - para realizar a manutenção.

PERÍODO

Saraiva disse que o endurecimento do rodízio, que passou de 24h com água por 24h sem água para 24h por 48h, respectivamente, se deve à alta complexidade da tubulação envolvendo os bairros ainda dependentes do Rio Batalha.

Parte dessa região ainda não é dividida em setores, razão pela qual exige mais água. A setorização destes locais, afirmou Saraiva, deve resolver o problema.

O presidente do DAE disse ainda que o racionamento de água em Bauru acabará assim que a lagoa de captação do Batalha atinja um nível de 2,7 metros. Até a noite de ontem (30), a altura da lagoa estava em 2,6 metros (leia mais).

EXPECTATIVA

Saraiva minimizou declarações feitas por ele e integrantes do governo que apontavam para uma situação menos complicada com relação aos recursos hídricos de Bauru. "Sempre disse que trabalhamos para que não falte água, mas dependemos de fatores externos. Um deles é a chuva, e faltou chuva neste mês", apontou.

Além disso, afirmou o presidente, o fracasso de duas licitações de perfuração de poços no meio do ano também colaborou para a implementação do racionamento no município.

A reunião foi marcada por um clima amistoso, mas discussões em tom mais crítico não ficaram de fora. Guilherme Berriel (MDB), integrante da Comissão de Obras, classificou a demora do DAE em realizar a manutenção de bombas queimadas como "um tapa na cara da população".

Saraiva, por sua vez, disse que a jornada dos servidores da autarquia que consertam os equipamentos é dividida principalmente pelo critério da segurança do trabalho.

AVALIAÇÃO

As explicações do DAE não foram suficientes para convencer o vereador Coronel Meira de que os investimentos da autarquia caminham para normalizar a gestão dos recursos hídricos de Bauru.

"Apesar de várias frentes de investimento, como novas fontes de captação e novos reservatórios, o DAE continua sendo refém do Rio Batalha. Temos falta de água na cidade sempre que entramos num período de estiagem", apontou.

Ao JC, Meira ressaltou que o foco da autarquia, neste momento, deveria se voltar ao desassoreamento dos afluentes do Batalha, mesmo que isso exija licenças ambientais. "Essa é uma medida para ontem. Precisa ser enfrentada", disse.

O vereador voltou a defender que Bauru precisa reavaliar seu modelo de gestão hídrica. "Se será sob regime de concessão ou parceria público-privada eu não sei. Mas esse debate é urgente. Os servidores do DAE são servidores públicos e não sairão prejudicados", aponta.

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