O Brasil teria motivo para celebrar em 2022, quando completa 32 anos sem nenhum caso de poliomielite. Mas o cenário, na verdade, é de preocupação. Mais de três décadas depois de erradicá-la, o País teme o retorno da doença ante os baixos índices de vacinação. Bauru não escapa dessa realidade e a Saúde municipal está em alerta.
Diretor do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria de Saúde do município, Ezequiel Santos admite a baixa procura pela imunização para combater a pólio - número que se evidencia principalmente nos índices da chamada dose de reforço contra a doença.
A primeira etapa da vacinação, explica Santos, abrange bebês de dois a seis meses de idade. Cerca de 81% da população desta faixa etária está imunizada em Bauru. A segunda fase, por sua vez, se aplica a crianças de 1 a 4 anos, cobertura que está em 61%.
Este segundo índice pode até ser mais preocupante do que o primeiro, mas o fato é que nenhum dos números está dentro do patamar ideal, de 95% das crianças imunizadas.
Ezequiel Santos diz que a baixa cobertura vacinal infantil não é algo tão recente. Os dados mostram, segundo ele, uma queda na imunização que vem desde 2014.
PRORROGAÇÕES
A baixa cobertura fez com que o Estado de São Paulo prorrogasse por diversas vezes a campanha de vacinação infantil em 2022. Agora, o novo prazo é a próxima quarta-feira (30). Segundo a Prefeitura de Bauru, a mobilização geral vale para indivíduos menores de 15 anos de idade - até 14 anos, 11 meses e 29 dias.
No caso da imunização contra a poliomielite, a campanha atinge crianças abaixo de 5 anos e está atendendo somente aquelas que estão com a dose em atraso.
As vacinas do calendário infantil são aplicadas em todas as Unidades Básicas de Saúde (UBSs) e Unidades de Saúde da Família (USFs) de Bauru, de segunda a sexta-feira, das 8h às 16h30. Não há necessidade de agendamento: basta que um dos pais apresente documentos - pessoais e da criança -, além da carteira de vacinação dos pequenos. O uso de máscara é obrigatório nas unidades de saúde.
DIVULGAÇÃO
Integrante do Conselho Municipal de Saúde, Rose Lopes também alerta para os baixos índices e defende que o município amplie a divulgação da campanha de multivacinação infantil. "Não basta ficar nas redes sociais ou na assessoria de imprensa. Muita gente não tem acesso a isso", afirma. "É o governo que precisa ir até as famílias, e não o contrário".
Para ela, a imunização itinerante ou a instalação de tendas em locais estratégicos da cidade seriam medidas válidas para aumentar a cobertura vacinal.