A verdadeira face do mercado

Por Marco Antonio de Souza |
| Tempo de leitura: 2 min
O autor é advogado

Em artigo publicado ontem, neste espaço "Opinião" e sob o título "Quem é este tal de "mercado?", o economista Reinaldo Cafeo tenta responder a este enigma. No que pretendeu ser didático, o autor deixou trescalar seu conhecido ódio a tudo que seja popular, em suas palavras dito como "populismo." E, antes de lançar seus anátemas, no final do artigo procura analisar o que seja "o mercado". E nos empanturra com frases e frases extraídas de seus manuais de devoção.

Como economista, professor de Economia, consultor de Economia, em posição de comando na Acib e, quiçá, em algum posto na Fiesp, Cafeo apregoa o que pretende ser as delícias do "mercado." Propõe-se a utilizar do mito do Índio Bom Selvagem, que trazido para seu quintal ou para as luxuosas salas da diretoria dos representantes do capitalismo, se transmuta-se no Mercado Bom Selvagem.

Defende com vigor e muito ódio aos seus contrários, os aspectos que lhe parecem definitivos para a absoluta proteção do tal mercado, contra as intempéries antagônicas do consumidor, da população e dos tênues contornos que o governo federal ora eleito vai apresentando (na direção do resgate dos aspectos sociais dos trabalhadores, dos trabalhadores sem terra e sem teto, dos descamisados, do lumpen proletariado).

Proletariado é palavra velha, meio em desuso, mas que nos representa. Cafeo, como eu e você, somos todos proletários.

Cafeo já era guedista, antes de o ministro assumir o posto no governo cessante. Sua intenção de arbitrar estas questões é nula, dada sua parcialidade total, que vem desde o golpe que vitimou Dilma, loas ao governo Temer e, ao fim e ao cabo, ao eleito em 2018, este sim um representante lídimo de papel tolerante com o mercado e intolerante com as práticas sociais e reivindicatórias dos trabalhadores em geral.

Cafeo não deve saber, mas deveria saber, o que foram e ainda são os "robber barons", símbolos do capitalismo americanos, que eram industrialistas do final do século XIX e que acumularam sua fortuna por meio de práticas como manipulação de ações e exploração de monopólios. No passado eles se chamavam John D. Rockefeller, Andrew Carnegie, J.P.Morgan e tantos outros. No presente atendem pelo nome de Elon Musk, Jeff Bezos e Mark Zucherberg. No Brasil, entre outros, Gerdau, Eike Batista, Lehman.

Seria demais esperar isenção de Cafeo. Porque ele é devoto e sacerdote do que temos de capitalismo selvagem, muito estimulado pelo desgoverno de Bolsonaro.

Não adiantou acender as velas de 7 dias para a reeleição do mais imbecil presidente que o país já teve. Imbecil, mas era "dos nossos". Lula pretende dar um freio de arrumação nesta bagunça toda. O Brasil precisa voltar a ser de todos os brasileiros.

Fora com os achacadores, os açambarcadores, os negociadores vis, os descumpridores dos direitos dos trabalhadores e os governantes e economistas que dão as costas à população e sua miséria cada vem mais presente.

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