Adversários na eleição de 2020 em Bauru, a prefeita Suéllen Rosim (PSC) e o médico Raul Gonçalves Paula (Podemos) lideram seus partidos que, agora, anunciam fusão. A união se consolidará, segundo os presidentes nacionais das duas legendas, numa convenção marcada para o dia 8 de dezembro.
A mudança não será aos moldes do que fizeram PSL e DEM, cuja fusão deu origem ao União Brasil. O Podemos continuará se chamando Podemos, mas deixa de usar o número 19 para dar espaço ao 20, dezena do PSC nas urnas. Na prática, o primeiro incorpora o segundo, e o futuro partido passará a ter 7 parlamentares, 48 deputados estaduais, 198 prefeitos e 3.045 vereadores em todo o País.
A fusão, embora comemorada pela Executiva Nacional de ambos os partidos, não deixa de abrir a possibilidade de um conflito nas comissões provisórias do Podemos e do PSC em Bauru. Elas são lideradas, afinal, por políticos antagônicos fizeram a principal disputa em 2020.
O Podemos está hoje sob comando do médico Raul Gonçalves de Paula, o Dr. Raul, derrotado em 2020 pela atual cacique do PSC, Suéllen Rosim, prefeita de Bauru. Raul também disputou votos para deputado estadual contra a mãe de Suéllen, a pastora Lúcia Rosim, que concorreu a uma vaga na Assembleia Legislativa de São Paulo nas eleições deste ano.
O antagonismo também se evidencia na Câmara, onde o Podemos rivaliza com o governo municipal - o PSC não tem cadeira no Poder Legislativo, mas possui um opositor, o vereador Pastor Bira, que foi voto decisovo em prol da instalação da CP da Educação.
COMANDO
A fusão dos dois partidos pode abrir uma disputa pelo comando da cúpula do futuro Podemos em Bauru. Ou uma união - o que é mais complexo, segundo disseram interlocutores do governo à reportagem.
Ao JC, Dr. Raul descartou sair da legenda diante da incorporação do PSC e contou que soube da mudança há cerca de 15 dias. "A política é a arte de conversar. Se a Renata [Abreu] ligar para mim e disser que precisamos compor [um grupo com Suéllen] a gente compõe. Sem problema nenhum. Desde que seja bom para a cidade", disse.
Raul afirmou também que se encontrou recentemente com a presidente nacional do Podemos e que negou a ela uma eventual possibilidade de deixar o partido.
Ainda na conversa, Raul solicitou demandas relacionadas à Saúde e teria ouvido de Renata Abreu a confirmação de que várias delas serão atendidas.
BRASÍLIA
Suéllen participou do evento que anunciou a fusão dos dois partidos. A conferência aconteceu em Brasília, para onde a prefeita viajou nesta semana. Ela estava ao lado do presidente do PSC, Pastor Everaldo, no momento do anúncio. Se o objetivo da fusão é aumentar o quadro de mandatários no futuro partido, Suéllen trilharia um caminho natural para o comando da legenda. Neste caso, restaria saber quem permanece na sigla diante dessa movimentação.
Um interlocutor da política local, que conversou com a reportagem em caráter reservado, entende que a presença de Suéllen na cerimônia que anunciou a união dos partidos é um indicativo de que a prefeita possa ser a favorita para assumir a futura legenda no município.
O JC apurou que a prefeita chegou a ser sondada por Gilberto Kassab para migrar ao PSD, mas recusou a oferta por lealdade ao partido de Pastor Everaldo.
Agora, porém, ela negocia a possibilidade de uma composição de chapa com o PL de Jair Bolsonaro e com o Republicanos de Tarcísio de Freitas. Na prática, a prefeita já pensa nas eleições de 2024.
ARTICULAÇÃO
Segundo apurou a reportagem, há chances de que o deputado federal Gilberto Nascimento (PSC) ganhe influência sobre o diretório estadual do novo Podemos. Neste caso, fontes próximas ao governo Suéllen Rosim admitem a possibilidade de haver uma troca no comando do partido em Bauru.
Publicamente, porém, a mandatária ainda evita falar sobre o assunto. Ontem, enquanto voltava de Brasília, a prefeita disse à reportagem que somente a Executiva Nacional das legendas comenta o assunto neste primeiro momento e que outras definições serão postas à mesa depois da convenção que homologará a fusão.