Basta uma breve circulada pela cidade para constatar que aumentou o número de pessoas que retomaram o uso de máscara em razão do novo repique da Covid-19. A situação é perceptível mesmo em ambientes abertos, mas fica ainda mais evidente nos locais fechados, de trabalho ou de lazer.
Em parte das instituições de ensino, por exemplo, o uso de equipamento de segurança voltou a ser obrigatório. As três principais universidades públicas de São Paulo - USP, Unesp e Unicamp - adotaram a medida.
Ainda assim, segundo Ezequiel Santos, diretor do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria Municipal de Saúde, não há necessidade, ao menos neste momento, para que a prefeitura decrete medidas restritivas. "Até porque os protocolos de segurança já estão, ou deveriam estar, na rotina das pessoas", prossegue.
Para ele, Bauru pode enfrentar a nova onda de casos de Covid-19 dentro de 15 dias. Este cenário já se instala nas capitais de vários estados brasileiros. "Tivemos um leve aumento de casos nas últimas semanas, mas foi muito discreto. Nada alarmante. Ainda não sentimos o impacto dessa nova onda, até porque ela chega primeiro nas capitais. Só depois vem ao Interior", afirma Ezequiel.
Apesar da preocupação, ele destaca que não há indícios de que a cepa predominante nesta outra leva da Covid vá escapar da resposta imunológica produzida pelas vacinas disponíveis no Brasil.
PREOCUPAÇÃO
Ezequiel admite que o aumento dos casos no Brasil, amplamente noticiado pela imprensa, pode ter reacendido o alerta na população sobre a importância de se imunizar.
Nos últimos dias, afirma, munícipes que estavam com o ciclo vacinal incompleto buscaram as Unidades de Saúde de Bauru para receber a dose em atraso.
"Isso é ótimo, claro, porque as pessoas estão conscientes de que devem se vacinar. Mas é errado por outro lado, já que a dose em atraso deveria ter sido aplicada meses atrás. A gente não pode esperar a doença chegar para receber a vacina. Precisamos dela antes", aponta.
Nesta semana, aliás, Bauru atingiu o número de 1 milhão de aplicações da vacina contra a Covid-19, índice comemorado pela prefeitura.
Embora o número de infecções tenha aumentado nas últimas semanas em Bauru - ainda que discretamente, como ressalta Ezequiel -, casos graves da doença seguem em patamar estável. O município registrou 1.451 mortes desde o início da pandemia, a última delas em setembro.
AVALIAÇÃO
Formado em Medicina pela Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho (Unesp) de Botucatu, o infectologista Taylor Toscano Olivo, que atua nos setores público e privado de Bauru, também não acredita que o cenário atual da pandemia vá piorar com a chegada da nova onda.
"Não houve uma mudança que aponte para uma maior gravidade do vírus. Claro que os pacientes mais idosos ou com problemas de saúde, do grupo de risco, têm enfrentado quadros um pouco mais graves. Temos visto internações dessas pessoas", explica.
Ele admite, porém, o risco de que o vírus da Covid-19 ainda possa sofrer mutações. Neste caso, é possível que surjam cepas capazes de escapar da resposta imunológica produzida pelas vacinas disponíveis hoje - tanto no Brasil como no mundo.
RISCOS
Taylor também desmente a ideia de que o paciente que adoeceu pela Covid uma vez não corre riscos ao contrair a doença novamente. Essa informação é difundida sobretudo nas redes sociais, mas estudos recentes mostram o contrário: uma eventual reinfecção pode ser tão ou mais danosa do que o primeiro contágio.
"Trabalhos recentes mostram que o efeito cumulativo da Covid pode causar problemas cardiológicos, principalmente infarto, e outras embolias. Isso pode ser muito danoso ao sistema imunológico", aponta.
CONVIVÊNCIA
Segundo o especialista, o vaivém do coronavírus na sociedade evidencia que, a exemplo da gripe comum, a Covid-19 veio para ficar. "O vírus conseguiu se adaptar em termos de transmissibilidade. Ele faz mutações muito facilmente e encontrou uma forma de se difundir, até porque a própria população deixou de lado medidas de segurança", pontua.
E há ainda a dificuldade em se controlar a própria doença. "Por ser um vírus respiratório, não basta adotar uma medida de combate apenas. Não é só vacina, só medicamento ou só isolamento. É preciso conciliar tudo isso", ressalta.