Desmatamento

Por Roberto Purini |
| Tempo de leitura: 1 min

O rouxinol, dizem, contra espinhos perfurantes, lança o peito, sabendo que, através da dor que sente, produzirá o mais belo canto, entre os alados cantantes, e o seu mavioso trinar, a assertiva não desmente.

Curiosa situação, essa, pelo pássaro, vivida, e, para nós, humanos, fica a indagação: seria mesmo, necessária, extrema medida para obter o resultado da ação?

Conjeturo: o pássaro, o homem e, da natureza, o devastar. Enquanto ao primeiro, importa, do canto, a beleza, não o sofrimento, ao outro, egoisticamente, interessa apenas o poder, o enricar.

Se o rouxinol, ao gorjeio, palavras acrescentasse, através delas talvez dissesse, em desalento: como seria bom se o homem, como eu, pensasse.

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