SUPERAÇÃO

Com estímulo de professora, crianças escrevem o próprio livro sobre a Covid

Por Tânia Morbi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Para ensinar língua portuguesa, professora Luciane Batista recorre a vários projetos distintos, como a produção de livro, cuja noite de autógrafos será quinta
Para ensinar língua portuguesa, professora Luciane Batista recorre a vários projetos distintos, como a produção de livro, cuja noite de autógrafos será quinta

Proporcionar a alfabetização com alegria e desenvolver a criatividade, mesmo que para isso seja preciso dar 'cambalhotas' em sala de aula é a maneira usada pela professora Luciane Renata Batista para ensinar língua portuguesa a seus alunos do terceiro ano da Escola Municipal de Educação Fundamental (Emef) Santa Maria, na Vila Cardia. Entre estas necessárias 'piruetas' está o projeto que incentiva cada aluno, com cerca de 8 anos, a produzir seu próprio livro. O tema deste ano foi a superação da Covid-19. A noite de autógrafo será nesta quinta-feira (17), em um buffet de Bauru.

A professora, que faz aniversário no dia do lançamento dos livros e deve se aposentar em 2022, conta ter iniciado essa proposta no primeiro ano da pandemia, quando as aulas passaram a ser remotas. Ela, então, se viu diante do dilema de não poder mais usar a sala de aula para executar seus projetos especiais: as tais 'cambalhotas', como gosta de denominar.

Pesquisando recursos para incrementar as transmissões, descobriu a Estante Mágica, do Rio de Janeiro. Pela plataforma, a produção de texto e ilustração de cada aluno é enviada pelo professor responsável, inscrito no programa, e a devolução se dá por meio de e-books e também livros físicos individuais, com as histórias e personagens criados pelos próprios alunos.

VALOROSO

Em 2020, devido às restrições, a distribuição dos livros foi feita em forma de drive thru, com os pais passando de carro pela casa da professora e retirando seus exemplares. No ano passado, o evento foi dividido entre os alunos que poderiam estar na escola e os que acompanhavam as aulas ainda de forma remota.

Este ano, o tema proposto por Luciane foi de superação da Covid-19, sendo que a produção dos alunos aconteceu entre os meses de fevereiro e junho. Amanhã, o lançamento terá a presença de todos os alunos e seus convidados. As famílias dos alunos apoiaram o projeto desde o início, uma vez que os livros físicos e o evento são custeados pelos pais.

Como cada criança cria sua própria história, a única coisa em comum entre os personagens de todos é o Valoroso, coração de pelúcia que acompanha os alunos durante todo ano, usado por Luciane para as regras de comportamento na sala de aula. Desde o início, mais de 80 alunos já passaram pela experiência de criar seus próprios livros.

SUA HISTÓRIA

Sem conseguir escolher entre a história que mais a emocionou, Luciane lembra de seu próprio livro, produzido após a empresa sugerir que escrevesse sobre suas experiências. Sua história começa como aluna na própria escola Santa Maria, onde em breve irá se aposentar, quando as aulas ainda eram em uma sala da igreja São Sebastião. "No final da história, o Valoroso saiu procurando as crianças. Eu e a Virgínia, minha primeira professora, fomos em farmácias, supermercados procurando as crianças. Este livro me marcou muito", afirmou.

TRANSFORMAÇÃO

Luciane relembra do início de sua carreira, há quase 29 anos, com aulas de Educação de Jovens e Adultos (EJA), passando pelos cargos de coordenação, vice e direção, até voltar, em 2011, a lecionar na escola Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Dirce Boemer Guedes de Azevedo, no Parque Bauru.

A sensação de não poder mudar a realidade dos alunos, suas carências e dificuldades, quase a tirou do magistério. "Foi quando eu passei a criar projetos, para que os alunos se sintam importantes. A realidade das escolas é diferente, mas crianças são iguais. O prejuízo que a pandemia causou (no aprendizado), para estas crianças não existe. Nesta forma de trabalhar, a criança vê sentido no que está aprendendo", explica.

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