O rádio de Bauru e região ficou um pouco menos divertido há cerca de seis anos, quando o radialista José Ferreira Barbosa Júnior desligou o microfone que comandou durante cerca de 50 anos em emissoras bauruenses. Com seu programa Rádio Alegre, o locutor entrou para a história da comunicação regional. Mas, nesta terça-feira (15), a voz contagiante que cativou ouvintes durante tanto tempo silenciou definitivamente com sua morte, aos 87 anos, depois de uma luta contra um câncer, iniciada no ano passado.
Embora tenha marcado a história do rádio de Bauru, a paixão pela comunicação era anterior à carreira de radialista. Ainda na década de 1950, ele já usava o serviço volante de um caminhão de som que divulgava notícias de interesse da população em parques e praças da cidade, segundo conta seu único filho José Ferreira Barbosa Neto.
Neto ressalta o quanto o pai era trabalhador e atento à família. Tanto que, apesar dos programas noturnos no rádio, trabalhou até sua aposentadoria no setor administrativo da Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL). "Eu sempre joguei futebol. Até no Amador. E ele sempre me acompanhou nos jogos e treinos", lembra.
Barbosa Júnior era torcedor apaixonado pelo São Paulo. A família, inclusive, atendeu seu pedido: ele deverá ser sepultado com uma camisa do time.
ADMIRAÇÃO
Mesmo com diferença de 10 anos entre eles, o ex-técnico da Seleção Brasileira de Basquete Feminino por mais de 20 anos, Antônio Carlos Barbosa afirma que o irmão sempre foi próximo e ambos nutriam admiração recíproca.
Barbosa se lembra da adolescência do irmão, quando ele passava as noites ouvindo os mais diversos programas de rádio. Foi assim, segundo ele, que criou o Rádio Alegre. "Ele fazia sorteio, charadas para distribuir prêmio. Tinha uma audiência muito grande. Ele era muito antenado. Foi assim que criou seu programa. Sua presença era muito marcante", comenta.
ALEGRIA
Apesar de começar com um programa de notícias veiculado durante a semana, também no período da noite, o Rádio Alegre, transmitido pela Bauru Rádio Clube, a partir de 1966, e depois na Auri Verde, marcou as noites de sábado e fez Barbosa Júnior referência em entretenimento. Por isso, sempre teve o respeito até de seus concorrentes da época, como o ex-radialista João Bidu, que também apresentava um programa no mesmo dia e horário que ele, em outra emissora. "Só tenho lembranças boas, de uma pessoa boa, um bom companheiro", afirma.
O jornalista e radialista Paulo Sérgio Simonetti, que trabalhou com Barbosa Júnior até ele encerrar seu programa, nos áureos tempos da Auri Verde, diz que o radialista levava alegria por onde passava. "Ele era extremamente engraçado, simples e amigo. Estar com Barbosa era sinônimo de dar risada e ficar feliz. Ela era da família", garante. Além do filho e de um casal de netos, Barbosa deixa a esposa Neuza Joana. Amigos se despendem no Centro Velatório Terra Branca (Sala 1).
Seu sepultamento será nesta quarta-feira (16), no Cemitério da Saudade, em Bauru, e está previsto para às 9h30.