OPINIÃO

Subir salário da prefeita?

Por Victor Tessari Crivelli |
| Tempo de leitura: 2 min

O Jornal da Cidade de domingo 13/11 trouxe uma matéria preocupante em sua página 3. A Câmara Municipal cogita subir o salário da prefeita a partir da reunião desta próxima quarta-feira, para que surta efeito já a partir do próximo ano, com objetivo de impedir a debandada de médicos, e ainda quer debater o aumento do número de vereadores da própria casa, para passar dos atuais 17 para 22, numa próxima sessão ainda neste ano.

No meu entendimento, estamos diante de uma situação muito constrangedora, para não dizer outra coisa. Vejam bem, a matemática não mente. Se a desculpa é a necessidade de aumentar o salário dos médicos, por que não criam uma lei específica para isso? Algo como uma tabela de horas extras, auxílio insalubridade, ajuda de custos etc. Seria mais que possível se houvesse interesse. Mas certamente alegarão que existe "Lei" que impede tal demanda, não podendo extrapolar o teto do município. Ora, assim, ficaria o município condenado a gastar muito, muito, muito mais, quando poderia ter um gasto menor. E quem paga esta conta? Eu e você, você e eu! A matemática não mente, façam as contas, ainda dá tempo. Citando como exemplo fictício, pois desconheço os números corretos, se querem aumentar o salário dos médicos de 15 mil pra 16 mil, e se temos 26 médicos, o aumento seria de 26 mil na folha de pagamento, hipoteticamente. Agora, com o aumento de 10% no salário do prefeito, toda a cadeia de funcionários provavelmente também terá um reajuste, ainda sob a desculpa de reajuste aos médicos, e ainda, em minha hipótese, o se número de funcionários que se beneficiaram deste aumento seja de 1.000 (mil) funcionários, certamente a obrigação monetária mensal seria infinitamente maior do que os 26 mil que de fato buscam como suporte.

Mais justo seria dizer simplesmente que pleiteiam reajuste salarial para os funcionários públicos municipais e pronto! Tudo bem! Trabalham muito e merecem sim ter seus salários reajustados como qualquer outro profissional. Outro ponto é sobre o aumento do número de vereadores. Pra quê? Por quê? E ainda querem aprovar isto a toque de caixa e em época de copa do mundo, festas de fim de ano, férias, Natal. A história se repete mesmo, né?! Déjà vu! Para piorar, querem justificar comparando com a Prefeitura de São Vicente. Ora bolas, se é para melhorar, comparem com a prefeitura de Bruxelas, onde um "échevins" (vereador) ganha aproximadamente R$ 11.000,00 (onze mil reais), ou seja, mais ou menos 60% do salário do prefeito. Acredito até que a população de Bauru prefira que o número de vereadores seja reduzido (eu, particularmente, acho que o quadro atual deve ser mantido), mesmo porque alterar-se para um número par de vereadores seria dar muito poder para aquele que faria o desempate com o voto de minerva. Reflitam, ou não.

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