BAURU

Escolha do comando da Câmara afeta diretamente eleição municipal de 2024

Por Tânia Morbi | da Redação
| Tempo de leitura: 4 min
José Roberto Segalla (União) e Junior Rodrigues (PSD), no estúdio central da 96FM
José Roberto Segalla (União) e Junior Rodrigues (PSD), no estúdio central da 96FM

Falta praticamente um mês para a eleição que vai definir a nova presidência do Poder Legislativo bauruense. Embora pareça uma disputa reservada, as amarrações dos grupos políticos que cada vereador representa dão à disputa do dia 15 de dezembro relevância para a escolha do governo municipal em 2024. Pela importância sobre os rumos da política local, o assunto foi debatido no programa Café com Política desta sexta-feira (11). Os dois convidados a discutir Bauru foram os vereadores José Roberto Segalla (União Brasil) e Junior Rodrigues (PSD).

A eleição da presidência da Câmara é definida pela maioria simples dos votos. Sua especificidade está no fato, segundo Segalla, de que o voto decisivo pode ser dado apenas no momento de votar. "Tem os (vereadores) que desejam, procuram e vão atrás de conseguir voto suficientes, e tem aqueles que a eleição cai no colo porque não se consegue chegar num consenso", contou.

BUSCAM APOIO

Segalla afirma que não tem nenhuma pretensão de concorrer, mas vereadores como Guilherme Berriel (MDB), Pastor Bira (Podemos) e Pastor Edson Miguel (Republicanos) já buscam apoio. Júnior Rodrigues também afirma que não é candidato e que seu foco é o posto de líder do governo. A dúvida permanece quanto ao atual presidente, Markinho Souza (PSDB), que não poderia se candidato, já que o Regimento Interno não permite reeleição. No entanto, ele não foi eleito para a gestão que termina em dezembro, herdando o posto de Ricardo Cabelo, que teve mandado cassado.

Para o diretor de jornalismo do Jornal da Cidade, João Jabbour, em tese a articulação eleitoral deve prestigiar quem tiver condições de manter a força, a importância e do Legislativo. "É a máxima republicana da independência dos poderes. Tem que ser um presidente que tenha esta consciência", avaliou o jornalista.

PROTAGONISMO

O apresentador do programa, economista Reinaldo Cafeo, questionou o especialista em marketing político e comunicação eleitoral, Kleber Santos, sobre a importância que o escolhido para presidir a Câmara terá na eleição municipal. "A metade final do governo é quando vai para julgamento o governo atual, em caso de reeleição. Neste momento, a presidência da Câmara ganha papel importante. Para a prefeita, pela possibilidade de diálogo, passar projetos e mostrar trabalho. E para quem assume a presidência, se tiver pretensão de ser candidato. Dá protagonismo poder colocar em pauta assuntos que possam render votos", analisou Kleber.

SUCESSÃO MUNICIPAL

Durante a escolha da presidência da Câmara, os grupos políticos da cidade passam a articular possibilidades de candidaturas. Segundo os participantes do Café com Política, já estaria se mobilizando o grupo de apoio ao ex-prefeito Izzo Filho; o grupo ligado ao presidente do MDB, Rodrigo Mandaliti, e outra vertente política ligada ao ex-candidato a deputado Raul Gonçalves (Dr. Raul). Além das articulações dos partidos de esquerda.

De acordo com Junior Rodrigues, a prefeita Suéllen e seu grupo ainda não tratam de reeleição. "Hoje ela é conhecedora do que faz, uma das primeiras a chegar e a última a sair da prefeitura. Mas estes dois próximos anos são para entregar o que foi prometido em campanha", garantiu.

AVESSO À MUDANÇA

Os participantes analisaram as possibilidades de reeleição em Bauru. Kleber Santos afirmou que, de maneira geral, as pessoas tendem a rejeitar a mudança. "Para a população, se as coisas estão atendendo suas expectativas, não há porque mudar", afirmou. Porém, a ressalva é sobre a importância de mostrar o trabalho que vem sendo feito. "É uma prestação de contas. Na política, não adianta ser, tem que ser percebido como", garante.

Para Cafeo, é preciso considerar o perfil conservador do eleitor bauruense, reafirmado nas eleições para Presidência da República. Assim, na opinião de Jabbour, a prefeita sai em vantagem. "Caso confirme a reeleição, ela tem a vantagem da votação conservadora expressiva de Bolsonaro e Tarcísio aqui. Do ponto de vista da esquerda, Bauru nunca teve um candidato forte. A esquerda vai precisar de um nome que a unifique, que passe firmeza na articulação e para a população também", assegura.

Neste caso, o deputado federal não reeleito Rodrigo Agostinho (PSB), duas vezes prefeito da cidade, pode ser uma opção ao conservadorismo. Dependendo da composição que fizer, poderá, inclusive, dividir a direita. "Já começo a ouvir que pode acontecer o que houve no Governo Federal, reunir Rodrigo com alguém da ala conservadora", comentou Júnior.

CRÍTICAS AO EXECUTIVO

Além de eleições, os participantes também comentaram sobre projetos importantes que passam pela Câmara, como a Lei de Uso do Solo, que foi retirado pelo Executivo, e os que devem ser encaminhados, como o Plano Diretor. Segalla criticou o andamento dado pelo Executivo a processos que, por terem falhas ou estarem incompletos atrapalham e atrasam a discussão das propostas.

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