A falta de acesso pelo município a informações do Estado faz com que a lista de espera por cirurgias eletivas, consultas e exames da Secretaria de Saúde de Bauru não reflita a realidade, uma vez que a Secretaria de Estado da Saúde tem seu próprio controle, dentro do sistema que é utilizado por ambas, mas com acesso restrito ao município. A divergência nos números foi o tema principal da audiência pública realizada nesta quarta-feira (9), convocada pela Comissão de Saúde da Câmara, presidida por Eduardo Borgo (PMB)
A audiência tinha na pauta como assuntos principais o descumprimento de leis municipais que exigem a divulgação, no site da prefeitura, da lista de espera dos pacientes que aguardam por atendimento nas unidades de referência do Estado, e na rede básica. Mas, a diferença nos dados centralizou a discussão.
Segundo a Secretaria de Saúde de Bauru, de 2014 até agora estão represadas 23.275 consultas, 39.741 exames e 2.121 cirurgias. Mas se os números não batem com o controle do Estado, também não condizem com a situação local, segundo a secretária Alana Trabulsi Burgo, uma vez que o cadastro do município está desatualizado.
Segundo ela, há 6 anos a Saúde não fazia uma triagem entre os pacientes. A busca por cada caso tem sido feita este ano, e a secretaria conseguiu totalizar os dados de 2014 até agora.
ACESSO LIMITADO
O sistema utilizado pelas duas secretarias, segundo Alana, é o mesmo, mas o município tem acesso até aos pacientes serem encaminhados para atendimento especializado. "A partir do momento que o hospital, que vai prestar o serviço para o Estado, puxa este paciente para si, o município deixa de enxergá-lo. Os hospitais de Base, Estadual e os demais, cada um, tem sua própria demanda, e a gente não consegue consultar estas listas", explicou.
O acesso ao paciente, após entrar no cadastro estadual, só é feito de forma individual, por meio dos dados pessoais. "Eu consigo verificar se ele foi atendido, mas caso não tenha sido, não consigo saber quando será, porque não consigo saber quantos estão na sua frente", explicou.
UNIFICAR INFORMAÇÕES
Segundo a diretora da Departamento Regional de Saúde de Bauru (DRS-6), Fabíola Leão Soares Yamamoto, desde agosto a Secretaria Estadual estuda rever o sistema, para tentar unificar as informações. Alana se comprometeu a gerenciar o processo de filtragem dos cadastros, por meio da equipe de tecnologia da própria secretaria municipal, caso o Estado libere o acesso. E o presidente da Comissão de Saúde Pública da OAB/Bauru, Carlos Alexandre de Carvalho, também colocou o setor de tecnologia da entidade à disposição para contribuir.
O presidente da Comissão de Saúde, Eduardo Borgo (PMB), afirmou que deve pedir uma audiência com o secretário de Saúde do Estado para requerer a liberação do acesso e a unificação das listas. Borgo avaliou que a disparidade das informações é um grande entrave para resolver o problema da espera por atendimento especializado.
NÃO CONVENCEU
Para Rose Lopes, membro do Conselho Municipal de Saúde, as informações apresentadas pelo DRS-6 não foram suficientes para esclarecer a divergência entre os dados do Estado e município. "Quando o secretário ou o governador falam, eles apresentam dados exatos sobre os atendimentos. Como a diretoria não tem esses dados? A explicação não convenceu. Pela falta de atendimento especializado, a atenção básica fica afogada, e se o município passa a custear as especialidades, deixa de investir no básico, um erro que Bauru vem cometendo", opinou a conselheira.
PACIENTE ESPERA HÁ UM ANO POR CIRURGIA DE VESÍCULA
Presente na audiência, Maice do Carmo Ferreira, de 53 anos, aguarda há um ano, sentindo dores, por uma cirurgia de vesícula. Ela recebeu encaminhamento cirúrgico após passar pelo posto de saúde do Mary Dota. Ainda não recebeu as avaliações pré-operatórias, mas, recentemente, ao procurar por informação no Ambulatório Médico de Especialidade (AME), soube que seu nome foi excluído da lista do Estado, embora conste na lista de espera do município.