Compromisso ambiental e sustentável indica solução para o clima

Por João Carlos Augusti |
| Tempo de leitura: 3 min

A 27ª COP - Conferência do Clima da ONU (Organização das Nações Unidas) - chega ao Egito, entre os dias 6 a 18 de novembro, com um desafio ainda maior para concretizar as metas e compromissos propostos nas últimas edições do evento diante de um cenário de diferentes crises globais.

O resultado das ações adotadas pelas nações até agora ainda é incerto para o cumprimento do Acordo de Paris, firmado em 2015, no qual todos os países do mundo se comprometeram a tentar limitar o aquecimento global a 1,5°C, e do Pacto de Glasgow, de 2021, que surgiu para impulsionar as ações acordadas anteriormente.

Na COP26, realizada em 2021, os países concordaram em entregar compromissos e planos nacionais com metas mais ambiciosas. Porém, segundo a ONU, apenas 23 dos 193 países apresentaram seus planos até o início de novembro.

Além disso, a realidade ambiental global tem sido alterada significativamente pelos resultados da guerra entre a Rússia e a Ucrânia, levando a um aumento nas emissões de poluentes - principalmente dos países europeus dependentes do gás natural russo. Tivemos ainda a suspensão do histórico Grupo de Trabalho Climático China-Estados Unidos, o que abre a possibilidade de retrocesso e de revisão de metas por diversas nações na COP27.

Por outro lado, um ponto de destaque da 27ª edição da Conferência do Clima será a discussão acerca do financiamento climático, reparação de danos e das regras internacionais que poderão criar o tão aguardado mercado global e acordos bilaterais entre blocos e países para as negociações comerciais de produtos e créditos de carbono.

Este mercado, em 2021, atingiu valor recorde de US$ 84 bilhões, um aumento de 60% em relação a 2020, segundo o relatório "State and Trends of Carbon Pricing 2022", do Banco Mundial. Esses números se aliam aos esforços dos países do Hemisfério Sul com soluções baseadas na natureza.

Enquanto as regras de um mercado de carbono oficial transnacional não se viabilizam, o mercado voluntário, que é aquele gerenciado por plataformas, está fazendo o seu papel aliado a iniciativas menores, locais e regionais, que estão gerando recursos para a proteção de florestas e a restauração de ecossistemas.

E é neste cenário que a Bracell lança um compromisso pioneiro que amplia significativamente seu papel nesta equação do lado das soluções baseadas na natureza, sequestrando e estocando carbono enquanto amplia os benefícios para a biodiversidade e a sociedade em geral através dos serviços ecossistêmicos.

O Compromisso Um-para-Um da Bracell é uma iniciativa inédita no setor de celulose brasileiro onde para cada um hectare plantado de eucalipto, a companhia se compromete com a conservação de um hectare de vegetação nativa, contribuindo com a proteção de florestas nativas, ou seja, conservando o carbono estocado e também o ampliando por meio da restauração de ecossistemas e do sequestro e estoque de carbono.

O papel da Bracell está em liderar um movimento para que outras empresas do setor florestal e dos segmentos do agronegócio no Brasil e no mundo sigam o mesmo caminho e multipliquem o efeito positivo ao clima do planeta. Apesar de muitas das iniciativas empresariais possivelmente não serem visíveis diretamente nestas duas categorias de mercado, que são o oficial e o voluntário, é preciso reforçar que soluções menos complexas industriais e tecnológicas podem ser significativas aos compromissos firmados nas Conferências do Clima para o incentivo de soluções baseadas na natureza.

Entendo que apesar dos desafios, não podemos deixar de inovar e trabalhar para a redução das emissões e a ampliação do sequestro e estoque do carbono da atmosfera. Governos, empresas, líderes e sociedade em geral precisam manter e ampliar as soluções concretas para que o planeta seja poupado de extremos climáticos e garantir a vida e os bens das futuras gerações.

O autor é gerente de Meio Ambiente e Certificações da Bracell/SP. Graduado em Engenharia Florestal pela USP, possui MBA em Administração pela Fundação Dom Cabral.

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