As grandes lideranças do PSDB sucumbiram. E não há novos quadros, salvo raras exceções, que levem o partido de volta ao que já foi. O resultado se deu nas urnas: nas eleições deste ano, o partido sofreu sua pior derrota desde a redemocratização, em 1989.
A avaliação é de ninguém menos do que pederneirense/bauruense Rubens Cury, secretário de Desenvolvimento Regional do Governo do Estado de São Paulo, que foi entrevistado nesta sexta-feira (4) no programa Café com Política, uma parceria entre o JC/JCNET e a 96FM.
"Foi um desastre eleitoral", disse Rubens Cury sobre o desempenho do PSDB, que terá de buscar novos rumos, durante conversa com os jornalistas João Jabbour, Kleber Santos, Ricardo Bizarra e Reinaldo Cafeo.
A derrota se reflete especialmente no Estado de São Paulo, território onde os tucanos venciam com folga - o partido esteve no poder por 27 anos, afinal. Para além da falta de novas lideranças, Cury admite o "efeito João Doria" na campanha do PSDB em 2022.
O ex-governador Doria, que deixou o Palácio dos Bandeirantes no semestre passado e passou a cadeira a seu vice, o candidato derrotado Rodrigo Garcia, tomou medidas impopulares ao longo do mandato. Nas urnas, quem pagou o preço foi o partido.
A reforma da previdência paulista, diz Cury, foi um dos principais fatores que levaram à derrocada tucana em São Paulo. Questões positivas, por sua vez, acabaram em segundo plano. Entre elas, por exemplo, o secretário cita o protagonismo e pioneirismo paulista em garantir a vacina contra a Covid-19.
BRASIL
Para Rubens Cury, situação semelhante ocorreu com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que perdeu a disputa do segundo turno para o petista Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Com a diferença, diz o secretário, de que "o presidente errou demais".
"Bolsonaro errou na condução da pandemia, no tratamento à imprensa e às mulheres, e errou também com o Supremo Tribunal Federal. É aquele ditado que dizemos nos municípios: prefeito não pode brigar com promotor, juiz e nem padre. Foi o que aconteceu a nível federal", afirmou.
BAURU
Figura conhecida na política da região, Cury foi prefeito de Pederneiras durante dois mandatos, entre 1997 e 2004, e já foi várias vezes sondado para se lançar ao Poder Executivo de Bauru. Ao Café com Política, ele antecipou que não pretende concorrer no pleito municipal de 2024 - mas analisou o cenário político local que já começa a se desenhar.
Ele lamenta que Bauru não tenha elegido um deputado estadual nas eleições deste ano. Mas atribui a derrota ao fato de que o município não tem uma liderança efetiva neste momento.
Em 2024, avalia Cury, a única candidatura viável à direita do debate político será a de Suéllen Rosim (PSC), caso a mandatária concorra à reeleição. Cabe aos partidos garantir nomes para ocupar espaços ao centro e à esquerda. Ele admite, porém, que há dificuldades de negociação entre as legendas.
Enquanto isso, afirma o secretário estadual do Desenvolvimento Regional, cabe à prefeita buscar projetos para Bauru. "Fui prefeito de Pederneiras quando o Fernando Henrique era presidente. E depois fui prefeito na época de Lula. Posso dizer que o Lula é um governo muito mais aberto. E olha que sou tucano...", brincou.