Transição necessária e atenta

Por Adilson Roberto Gonçalves |
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A força política oposicionista é relativa, pois costuma haver reposicionamento dos parlamentares após o novo mandatário assumir, ainda que ele tenha menor poder de caneta devido ao orçamento secreto. Mesmo no desgoverno atual, isso aconteceu. Setores minoritários continuarão descontentes, mas a desconfiança será superada pela ação, como foi nos mandatos anteriores de Lula. Pela frente ampla já montada durante a campanha, haverá mais espaço e trânsito para a reconsolidação democrática e restabelecer os pilares de uma sociedade menos desigual.

Assim, ao clamarem que Lula teria o dever de arrefecer os ânimos, tal pressuposto já está contemplado no discurso do presidente eleito, quando afirmou que seu governo será de todos e para todos, muito diferente do ex-capitão de quatro anos atrás que disse que a partir daquele momento a minoria teria de se sujeitar à maioria. Novos ventos sopram e respiremos, pois.

Porém, mesmo que se clame por uma transição pacífica, há que se considerar que as ações dos caminhoneiros tiveram, sim, um comando que pode não ter vindo diretamente do Palácio do Planalto, mas de muito próximo dali. Vi na rodovia Luiz de Queiroz, próximo a Santa Bárbara D'Oeste, os dois rapazes, com menos de 30 anos, condutores dos caminhões baú à frente do bloqueio, que calmamente acessavam seus celulares em monitoramento sobre as instruções a serem seguidas. Outro caminhoneiro conseguiu trafegar pelo acostamento e dirigiu algumas críticas a ambos, ignoradas. Criminosos devem ser identificados, indiciados, processados, julgados e, eventualmente condenados. Estamos ou não estamos em um Estado Democrático de Direito?

Por fim, as patacoadas do feriado, quando foi Dia de Finados e nunca havia visto tanto morto-vivo pelas ruas, inspiraram a trova: O coitado do finado / achou que a morte era pouco, / pôs a vergonha de lado, / foi pra rua feito louco!

O autor é pesquisador na Unesp - Rio Claro.

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