Quem já perdeu um ente querido - seja um familiar, um amigo ou qualquer pessoa por quem nutria grande carinho - sabe que a lembrança é, de mãos dadas com a saudade, quase que diária. Porém, esses sentimentos ficam ainda mais fortes em 2 de novembro, Dia de Finados, data destinada a homenagear aqueles que já não estão entre nós. Nesta quarta-feira (2), mais uma vez, milhares compareceram aos cemitérios de Bauru.
As oito necrópoles da cidade, sendo cinco públicas e três privadas, prepararam uma programação especial para receber os visitantes. Fora o horário estendido a fim de acolher o público maior, os cemitérios tiveram reforço estrutural, central de informações e vendas de flores, além de missas campais e outras celebrações especiais em algumas unidades.
'OLHEM POR NÓS'
Quem não deixou de prestar suas homenagens, como faz há mais de cinco décadas, foi Milton Baldo, de 70 anos. O morador do Jardim Ouro Verde foi até o Cemitério da Saudade ontem. No local, ele, que é espírita, deixou flores e também orações nos jazigos da mãe, da tia, da avó e de um grande amigo.
"É um dia em que eu acordo agitado e só fico mais tranquilo depois de vir ao cemitério e rezar. Peço paz não só pelos que já partiram, mas pelos que estão vivos. Meu pedido é para que eles olhem por nós", pontua Baldo.
PELA FILHA
Moradora do Jardim Europa, a família Ribeiro também esteve no Cemitério da Saudade para demonstrar que o sentimento que batiza a necrópole passou a ser algo diário entre os seus.
O casal, formado pelo médico Flávio Ribeiro e a dentista Gabriela Ribeiro, conta que não tinha o costume de frequentar o local, o que mudou após a perda de uma filha, ainda neste ano, aos oito meses de gestação. "Viemos rezar e prestar nossa homenagem para a nossa filha que se foi, a Fiorella", cita Flávio.
"O corpo não está em Bauru, mas vamos rezar aqui no Cruzeiro. É importante e simbólico não só para nós, mas também para minha outra filha", acrescenta Gabriela, olhando para Catarina, de 5 anos, que acompanhou os pais ontem.