ENTREVISTA

'Frente ampla' do 2º turno poderá se repetir em Bauru, diz presidente do PT

Por André Fleury Moraes | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
André Fleury Moraes
Antigos adversários: ex-deputado Pedro Tobias (à esquerda) cumprimenta o presidente do PT de Bauru, Cláudio Lago (à direita)
Antigos adversários: ex-deputado Pedro Tobias (à esquerda) cumprimenta o presidente do PT de Bauru, Cláudio Lago (à direita)

O PT de Bauru acompanhou apreensivo a apuração dos votos no segundo turno das eleições, que ocorreu no último domingo (30). E o anúncio da vitória foi um alívio geral, diz o presidente do diretório municipal do Partido dos Trabalhadores, Cláudio Lago.

Em entrevista ao JC, Lago afirma que, apesar de os votos locais indicarem uma cidade majoritariamente conservadora, existe uma alternativa viável ao PT sob o aspecto municipal.

Ele elogia, por exemplo, a união de forças do centro e da esquerda em torno do nome de Lula, como o apoio da emedebista Simone Tebet à chapa petista. E defende a adoção deste modelo a Bauru nas eleições de 2024. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Em Bauru, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva teve uma votação superior à de Fernando Haddad em 2018, quando o ex-ministro se candidatou à Presidência. Como o sr. avalia esse aumento?

O Haddad teve 27% dos votos no segundo turno em 2018 em Bauru. O Lula, 38,9% no segundo turno deste ano. Acho que foi um crescimento expressivo e que mostra um sentimento não só da esquerda, mas de toda a sociedade, de que o comando do Brasil precisava passar por uma mudança. Esse aumento de votos se refletiu em todas as regiões do País.

A vitória de Lula se deu por uma margem de votos muito pequena. Como o PT de Bauru acompanhou a apuração?

Evidente que com muita apreensão. Mas depois de a vitória ser confirmada, fomos comemorar. Vimos muitos munícipes que nem conhecíamos se juntar a nós.

Apesar da vitória de Lula, Bauru deu maioria de votos ao presidente Bolsonaro, o que mostra uma cidade majoritariamente conservadora. Existe uma alternativa viável para o PT sob o aspecto municipal?

Acredito que sim. Tanto que, de 2018 para cá, os votos para o PT cresceram em todos os cargos eletivos - dos deputados, estaduais ou federais, à Presidência da República. Acho que muito disso se deve à aliança que Lula construiu no segundo turno, trazendo o apoio de partidos e personalidades do centro, como Simone Tebet (MDB). Isso pode acontecer no pleito municipal. Vamos trabalhar para que o campo democrático se uma para disputar a Prefeitura de Bauru em 2024.

Quer dizer que a oposição ao governo Suéllen pode trabalhar em torno de um único nome?

A experiência que tivemos mostra que a união de forças gera um movimento de militância política muito grande. Basta olhar o segundo turno de 2022. Podemos repetir isso no município. Claro que é uma ideia embrionária, mas não podemos descartá-la. Acredito que conseguimos sair com uma chapa forte.

Essa movimentação em torno de um nome único condiciona o cargo majoritário ao PT? Ou pode haver um candidato a prefeito de outro partido?

É prematuro discutir nome ou legenda. Neste momento ainda estamos digerindo a eleição presidencial. Agora que vamos começar a discutir opções para 2024. O importante é manter essa unidade que se refletiu na vitória do Lula.

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