PROTESTO

Manifestantes em Bauru prometem manter bloqueio da Rondon neste feriado

Por Bruno Freitas | com Redação
| Tempo de leitura: 4 min
Bruno Freitas
Grupo afirma manutenção do bloqueio no feriado de Finados
Grupo afirma manutenção do bloqueio no feriado de Finados

Lideranças do movimento que bloqueia integralmente as faixas expressas da rodovia Marechal Rondon (SP-300), em Bauru, conclamaram os manifestantes para permanecerem nas imediações do quilômetro 340, no feriado de Finados, nesta quarta (2). A informação foi reiterada pelo grupo há pouco, inclusive no carro de som utilizado durante o protesto, iniciado na tarde desta segunda-feira (31).

A decisão dos manifestantes contraria a posição do governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), que não descartou, na manhã desta terça-feira (1), o uso de força por parte da Polícia Militar para desbloquear as rodovias do estado. De acordo com ele, as negociações se encerram com a determinação do ministro Alexandre de Moraes, do  Supremo Tribunal Federal (STF), para os governos adotarem imediatamente "todas as medidas necessárias e suficientes" para liberar as vias ocupadas por bolsonaristas em protesto pelo resultado das eleições.

Ainda assim, não há, até o momento, qualquer negociação no local entre autoridades e representantes do protesto para que desobstruam o trecho. Como não aceitam que Lula (PT) assuma a presidência da República em 2023, manifestantes pedem Intervenção Militar, conforme é possível constatar também em faixas levadas ao ato, que denominam como ‘Resistência Civil’.

BLOQUEIO

Por conta do protesto, as faixas expressas da rodovia Marechal Rondon (SP-300) em Bauru permanecem completamente interditadas nos dois sentidos, na altura do quilômetro 340, proximidades do trevo de acesso à avenida Nações Unidas. Já uma faixa das marginais está liberada, em ambos os sentidos.

Embora com alguns momentos de tensão, a manifestação segue pacífica, com seus participantes utilizando palavras de ordem, assim como música. Apoiadores ainda levam refeições ao grupo, que montou tendas na pista. Logo na manhã desta terça-feira (1), houve tensão porque alguns integrantes do protesto também tentaram interromper totalmente o tráfego nas marginais.

A iniciativa contrariava a orientação do Policiamento Rodoviário, que precisou intervir, conforme noticiou o Programa Cidade 360, uma parceria do JC, JCNET/Sampi com a 96FM. Alguns embates também foram registrados pela reportagem entre motoristas que precisam cumprir compromissos e as pessoas que mantêm o ato. Um dos caminhoneiros precisou insistir muito para que o liberassem seguir viagem.

O INÍCIO

O protesto em Bauru começou por volta das 18h desta segunda-feira (31), organizado por caminhoneiros bolsonaristas com participação de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro, derrotado no pleito de domingo (30) para Lula. Atos semelhantes ocorreram também na região e por todo o País.

O movimento em Bauru chegou queimar pneus, na noite desta segunda-feira (31). Depois, prosseguiu com a adesão de pedestres que participavam de outro ato nas imediações da Havan, com bandeiras do Brasil, pedindo por "justiça, honestidade e democracia".

O JC esteve no local e conversou ontem com pessoas que se pronunciavam por meio de caixas de som em uma caminhonete, na pista sentido Capital-Interior. "Somos pró-democracia. Temos a intenção de dar um grito ao Judiciário e ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de que nós, brasileiros, não concordamos com a soltura e com a candidatura do Lula. Não estamos nem falando em não aceitar o resultado das urnas, mas acreditamos que foi uma fraude eleitoral a candidatura dele. O Brasil foi solapado em sua democracia", aponta o representante comercial Felipe Alcântara, morador de Bauru. "Não queremos trazer ônus para ninguém bloqueando a rodovia, tudo aqui é feito de forma ordeira", completa.

"Nosso movimento é sem nome, individual e de organização natural dos cidadãos de bem. Os caminhoneiros nos ajudaram a fechar o trânsito e as pessoas foram simplesmente parando o carro também e vindo para cá", reforça o comerciante Silmar Thomazi. O gesseiro Elton Ramlov ficou sabendo do protesto pelas redes sociais e, ao sair do trabalho, passou para pegar a esposa e a filha a fim de todos participarem do ato. "Só viemos por ver que era seguro e pacífico. Estamos aqui pelo Brasil e pela melhor apuração de tudo que houve nessas eleições. A censura prejudicou o Bolsonaro", comenta o manifestante.

MULTA DE R$ 100 MIL/HORA

O ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes determinou ainda nesta segunda-feira (31) que a Polícia Rodoviária Federal e as Polícias Militares estaduais tomem medidas imediatas para desbloquear as rodovias do país.

Moraes acolheu um pedido da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), apresentado também nesta segunda. O ministro do STF também ordenou ainda que donos de caminhões usados em bloqueios sejam multados em R$ 100 mil por hora.

Já o governador de São Paulo, Rodrigo Garcia (PSDB), ameaçou, na manhã desta terça-feira (1), usar a Tropa de Choque da Polícia Militar para desbloquear as rodovias do estado. Garcia instituiu Gabinete de Crise para tratar do assunto e ainda determinou multa de R$ 100 mil por hora para cada veículo que resistir à determinação de desbloquear as vias. “Vamos fichar e prender quem resistir. Se necessário, vai haver uso de força”, afirmou o governador.

Caminhoneiro, à direita, de camisa azul claro, pedindo passagem para seguir viagem (Foto: Bruno Freitas)
Caminhoneiro, à direita, de camisa azul claro, pedindo passagem para seguir viagem (Foto: Bruno Freitas)
Concentração do grupo bolsonarista (Foto: Bruno Freitas)
Concentração do grupo bolsonarista (Foto: Bruno Freitas)
Caminhões estacionados bloqueiam a Rondon, em ambos os sentidos (Foto: Bruno Freitas)
Caminhões estacionados bloqueiam a Rondon, em ambos os sentidos (Foto: Bruno Freitas)

Comentários

Comentários