Populismo e partidarismo

Por Adilson Roberto Gonçalves |
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Sou leitor contumaz da revista Piauí e foi significativo que no mês passado a setembrada ameaçada não aconteceu, e também que a rainha Elizabeth II não reina mais, nem nas páginas virtuais daquela revista, como sói acontecer com outros que morreram (Godard esteve presente).

Indo ao que importa, em artigos separados na edição de setembro, porém tendo objetos complementares, Celso Rocha de Barros (Os PTs possíveis), Thomás Zicman de Barros e Miguel Lago (Transgressões no populismo) nos apresentaram um pouco da história da formação partidária e do populismo em nosso país. Ou seja, mais dois livros na lista de aquisições e leituras necessárias, uma vez que ambos são capítulos das obras maiores. Na minha formação política, nos anos 1980, o PT era visto como representante da burguesia trabalhista pelos marxistas raiz, e como pelego anti-esquerdista pelos trabalhistas. Exemplo é que o MR8, Movimento Revolucionário Oito de Outubro, fora alojado no MDB, e, pasmem, defendido por Orestes Quércia em Campinas! (Um parêntese é que o vice de Quércia, quando prefeito, chamado de Tunéscio por mim, é hoje um dos mais ferrenhos defensores na cidade daquele que ocupa a cadeira presidencial).

De qualquer forma, o populismo estudado pelos dois cientistas políticos é bem distinto em nosso país e em nossa história, quando comparado com congêneres no rótulo mundo afora. Nas eleições de 1989, Leonel Brizola seria o protagonista da esquerda, como bem lembrado no artigo de Celso Rocha de Barros, mas, por 460 mil votos, foi Lula o opositor de Collor no segundo turno. A altivez do também populista e engolidor do "sapo barbudo" não inspirou o coronel do Ceará a digerir, agora, o candidato petista, nem com chuchu de acompanhamento.

O autor é pesquisador da Unesp - Rio Claro.

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