Setor imobiliário vai depender de incentivos governamentais em 99
Setor imobiliário vai depender de incentivos governamentais em 99
Texto: Márcia Buzalaf
O crescimento do setor imobiliário em 99 está ligado aos incentivos e facilidades dadas pelo governo federal. A carta de crédito foi um dos destaques de 98, o que possibilitou a desburocratização do sistema de liberação de crédito.
O começo de 99, entretanto, não deve ser tão otimista. O ajuste fiscal, as elevadas taxas de juros e a elevação de impostos, de acordo com a presidente da Associação dos Administradores e Corretores de Imóveis de Bauru (Aciba), Wânia Pôrto, 43 anos, são os principais problemas que o setor imobiliário deve sentir nos primeiros meses do ano de 99.
Os problemas nacionais que o setor deve enfrentar no começo do ano pode ser superado, em nível regional, pela grande quantidade de faculdades que a cidade e a região abrigam. Segundo o delegado do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo, Giasone Albuquerque Cândia, 56 anos, a área de locação de imóveis pode aumentar bastante nos dois meses do ano, já que é este o período de matrículas e, consequentemente, de aumento de procura.
No segundo semestre, o mercado imobiliário deve apresentar melhores performances. Segundo Pôrto, "no primeiro semestre deve ser apertado para o consumidor se adequar à realidade do governo de cortar gastos, mas, no segundo, isto deve reaquecer".
O mercado imobiliário tem características peculiares, segundo Pôrto. De acordo com Pôrto, é diferente dos outros setores porque, independentemente da crise, as pessoas têm que morar em algum lugar.
As particularidades podem ser sentidas nas diferentes camadas da sociedade de formas também diferentes. Pôrto acredita que a classe média-alta não deve sofrer com tanta intensidade as mudanças do próximo ano e suas consequências no mercado imobiliário.
Quem deve sofrer mais, na opinião da presidente da Aciba,
é a "classe média-média mesmo". Pôrto explica: "Quem tinha uma casa que valia R$ 100 mil, pode vendê-la por R$ 80 mil e usar os outros R$ 20 mil para saldar dívidas".
Cândia afirma que as pessoas ainda não se adaptaram ao novo tipo de vida proporcionado pelo modelo econômico vigente. Por este motivo, todos os lados envolvidos na locação estão ficando mais flexíveis.
Financiamento
Os financiamentos, de acordo com Pôrto e Cândia, é um dos meios de incentivar o mercado, que, quando aquecido, gera empregos para uma parcela da população que apresenta características particulares e que possuem dificuldade em encontrar emprego na atual conjuntura.
Os incentivos aos financiamentos têm base na facilidade na liberação de crédito, ou seja, na desburocratização do sistema. Pôrto afirma que o exemplo de algumas construtoras
é de liberar o financiamento sem a exigência de comprovação de renda por parte do consumidor.
A tendência do mercado imobiliário, segundo Pôrto,
é de crescimento constante, mesmo com todos os ajustes que o próximo ano promete. Ela explica que o proprietário de um imóvel de grande porte, por exemplo, se estiver em dificuldades financeiras, poderá vender o imóvel para comprar um menor. O proprietário de um imóvel de pequeno porte, porém, pode decidir investir parte do seu dinheiro em um imóvel um pouco maior em uma época de fácil negociação com os proprietários. Desta forma, o mercado continua girando, segundo Pôrto.
O aumento da população, os casamentos diários e a procura dos universitários são os responsáveis pela constante renovação do setor.
Cândia afirma que, se os incentivos ao financiamento continuarem, além de aquecer a economia com a geração de empregos, o setor imobiliário pode crescer no próximo ano.
Locação
As locações são as que mais sofrem em épocas de crise econômica. Segundo a presidente da Aciba, muitas pessoas vão morar com a família ou mesmo amigos em caso de perderem o emprego ou enfrentarem dificuldade financeira a médio e longo prazo.
A inadimplência na locação de imóveis, segundo Pôrto, gira, atualmente, em torno de 10%. Ela explica que teve uma época em que, quando o consumidor deixava de pagar o aluguel, logo poderia ser despejado.
Atualmente, a atitude adotada pelos proprietários é de negociação. "Antes, o cara atrasava e os corretores entravam na Justiça rapidinho e tirava o cara. Hoje, a gente tenta fazer acordo, para negociar, parcelar... A ação de despejo é em última instância", explica Pôrto.
Em uma época de recessão econômica, a locação
é mais frágil do que as vendas. Pôrto explica que a 'locação atinge diretamente o bolso da pessoa, todo mês. "Quem paga aluguel é porque não tem condições de ter um imóvel", conclui.
Ao afirmar que Bauru tem 15 mil imóveis alugados, Pôrto constata que a cidade tem um bom mercado para imóveis.
"Em Londrina, por exemplo, você aluga um apartamento de três quartos, duas garagens e paga R$ 300,00. Em Bauru, o cara aluga um apartamento de um quarto sem vaga para carro por este mesmo preço", completa.
Os motivos alegados pela presidente da Aciba, Pôrto, é a posição geográfica de Bauru - bem no centro do Estado - além do movimento proporcionado pelas seis faculdades que a cidade abriga.
A negociação entre inquilinos-corretores-proprietários deve ser cada vez mais usada para garantir uma margem de lucro menor, porém, constante.
Locação de praia esgotou neste final de ano
De acordo com a proprietária da Imobiliária Universitária, especializada em locação de imóveis na praia, Maria Elisabeth Cardoso, 48 anos, todos os imóveis para o final de ano foram alugados.
A única exceção fica para alguns proprietários que só alugam imóveis para períodos maiores de estadia.
O fato de não ter mais imóveis para a locação na virada do ano, segundo Cardoso, é porque esta é a época do ano em que os proprietários mais usam o próprio imóvel. "Se tem uma época do ano em que os proprietários usam mais seus imóveis
é no Reveillón", completa ela.
É nesta mesma data comemorativa que as pessoas mais buscam imóveis na praia para alugar.Este final de ano, segundo Cardoso, teve sucesso por outro bom motivo. O fato dos dias 25 de dezembro e 1 de janeiro serem sextas-feiras facilita bastante para as viagens para o litoral, que geralmente levam mais tempo.
Outro fator que ajuda a elevar a procura é que as pessoas geralmente se juntam com amigos ou parentes para alugar um imóvel no final do ano. Isto faz com que o preço não fique tão pesado no orçamento doméstico e que mais pessoas tenha acesso a estas viagens.
O início da procura por imóveis na praia para este final de ano foi nos meses de setembro e outubro.